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A guitarra como a sua voz

“Gostaria de compartilhar uma visão sobre tocar guitarra que mudou muito a minha concepção”

Foto: Deca Pertrini

“Gostaria de compartilhar uma visão sobre tocar guitarra que mudou muito a minha concepção”

por Milton Medusa

Olá, amigos!

Gostaria de compartilhar uma visão sobre tocar guitarra que mudou muito minha concepção. Com o passar do tempo e após estudar bastante técnicas diversas, elementos interpretativos, harmonia, repertórios e tudo mais, chega uma hora que você precisa mostrar sua identidade, senão você passa a ser mais um guitarrista entre tantos outros talentos que surgem.

Desde o início, sempre quis compor e demorei bastante tempo para amadurecer nesta parte. Este caminho me levou a dar uma importância maior à melodia, certamente pela influência que tenho de Brian May, Wander Taffo, Neal Schon, Peter Frampton e os guitarristas desta linhagem refinada.

Me dediquei a bandas autorais e fazia covers para complementar o repertório dos shows. Mais tarde, passei a fazer bailes e toquei em bares, também, onde pude perceber que o público em geral, se ligava mais nos solos melodiosos e com poucas notas, mesmo eu chamando a atenção com os solos virtuosos, por assim dizer.

Ao mesmo tempo, estava me formando no IG&T, na virada do século, e tive que compor um tema numa harmonia bem encrencada, proposta por Mozart Mello, na minha prova de conclusão.

Gravei a harmonia na metade da velocidade num K-7 e compus nota por nota, tentando solfeja-la antes de colocar a mão no instrumento, que é um grande desafio. Acabei somando alguns trechos de escalas condizentes com cada trecho e o resultado me agradou bastante. Acabou se tornando a música “Blues do Medusa”.

A partir daí, ganhei segurança para desenvolver, finalmente, um repertório instrumental, que muitos já me cobravam. Ao ler uma entrevista de Neal Schon (Journey), sobre o álbum instrumental que estava lançando, onde interpretava canções pop’s bem conhecidas, me chamou a atenção o fato que citou sobre a dificuldade que teve para traduzir as palavras em notas musicais. As palavras tem significados e quantidade determinada de sílabas, ficando muito subjetivo como interpretar isto no instrumento, daí que você lança mão dos elementos interpretativos, como, slides, ligaduras, bends e vibratos, por exemplo.

Com estes recursos, você varia aonde for preciso e vai deixando a interpretação da forma que mais lhe agrade. Se você estiver realmente disposto a seguir por este caminho, sugiro que inicie por canções bem simples, que seja do seu gosto. Claro que antes é bom você ter um bom repertório de solos de guitarra dos estilos que mais goste, para ter alguma referência do que utilizar tecnicamente.

Quando tiver um bom repertório de interpretações, você sentirá qual é a música que consegue se expressar melhor e se identificar, também. “While My Guitar Gently Weeps” é esta música para mim e sempre a escolho quando faço participações em outros shows ou quando monto um set list.

Espero que esta ideia lhe ajude a encontrar um caminho próprio de interpretação, desenvolver seu estilo e, acima de tudo, faça com que a guitarra seja a sua voz!

Abraços,
Medusa.

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