Entrevistas

Adriano Coelho: O rockeiro escritor, o escritor rockeiro!

Adriano Coelho

Com uma vida dedicada ao rock e uma jornada como escritor de livros, Adriano Coelho mostra que entende muito bem sobre musas, rock e futebol.

Foto de Barbara Martins

Com uma vida dedicada ao rock e uma jornada como escritor de livros, Adriano Coelho mostra que entende muito bem sobre musas, rock e futebol.

Adriano Coelho dedicou décadas da sua vida ao mundo do rock. Trabalhou para as importantes revistas Rock Brigade e Valhalla, além do site da Dynamite, Rádio Brasil 2000 FM e TV Rock (on-line). Também trabalhou como roadie de bandas, dj, assessoria, gerente de pub e com grandes músicos ao longo desses anos. É autor do livro “Os 100 maiores jogos do Brasileirão”, que conta a história do campeonato brasileiro de futebol e do seu mais recente livro “Musas”, que conta sobre a vida das grandes divas de Hollywood. Também é voluntário da tradicional quermesse de São Vito, no bairro do Brás.

Adriano Coelho

Adriano Coelho

Adriano concedeu uma entrevista exclusiva ao Line Rockers, confira:

O início da sua trajetória no meio musical se deu em 2000, quando entrou para a revista Rock Brigade? Como ocorreu esse convite?
Adriano Coelho: De 90 a 99 eu comparecia a vários shows de rock, muitos em estádios. Fui ao Ramones, que era mais punk, mas sempre fui mais do gênero hard e heavy. De 99 para 2000 eu estava meio que parando de ir aos shows e nessa época encontrei uma amiga chamada Zete.

Conversando, ela me disse que havia uma vaga para uma revista chamada Rock Brigade e eu quase desmaiei, pois estava tentando trabalhar como jornalista, tinha acabado de me formar, estava querendo entrar no futebol e em 97 eu havia feito uma matéria com a Brigade, então pensei que seria a minha chance de ouro e que iria pra cima, mas aconteceu que na época essa amiga perdeu uma irmã em um acidente, eu perdi meu avô, então ficamos sem nos falarmos.

Depois, do nada, eu achei uma revista e liguei. Quando a Isolda atendeu a ligação, falou: “Nossa, já íamos dispensar você. Estamos te esperando!” e eu disse que havia tido problemas e ela disse que tudo bem e que era para eu ir lá naquela hora, porque iria gente no dia seguinte. Daí corri para a Rock Brigade levando um monte de revistas que eu tinha, que eu já lia há 10 anos… então entrei para a revista.

Foi meio que um presente de Deus, porque essa amiga minha eu já conhecia há quase 10 anos e ela não era ligada ao rock, foi uma coincidência fora do comum, ela trabalhava na revista e foi um sonho realizado, porque quando eu fazia faculdade, eu comentava que meu desejo era trabalhar  na Rock Brigade ou na Revista Placar. Foi assim, um presente de Deus!

Foram 4 anos trabalhando na Rock Brigade. Qual foi a sua história na revista?
Adriano Coelho: Foi uma realização, eu vendia anúncios e colaborava com os shows e a maioria deles, em 4 anos, eu quem fiz. Eu não era uma pessoa tão preparada, não fiz uma grande faculdade de jornalismo, to confessando isso, mas aprendi algumas coisas lá.

O que o Toninho sempre me elogiou eram a minha vontade e a minha garra, eu comparecia a todas as coletivas e eventos e o ele reconheceu muito isso. Até tive problemas lá dentro com funcionárias que achavam que o Toninho dava muito “boi” pra mim, pois ele era muito amigo meu, a gente ia a muitos jogos de futebol juntos… e foi um momento muito bom da minha vida, não só em relação a Rock Brigade, mas também porque foi uma época que eu estava me dedicando a uma academia, fiz muitos cursos, assim, tudo era bom, tudo estava dando certo.

Também comecei a discotecar no Manifesto, Black Jack, que eram bares que eu já frequentava, então em geral, foi tudo muito maravilhoso, porém, quando chegou no meu terceiro ano lá, comecei a ter problemas com o Toninho, pois eu queria ser registrado e começou a ter aqueles problemas em achar que tudo era “rock’n’roll” e a gente começou a discutir, começamos a ter problemas com anúncios, pirataria, o pessoal anunciava em sites e assim os anúncios foram caindo, começou a rolar muito estresse e foram seis meses assim, então achei melhor sair, mas eu posso dizer que a Rock Brigade foi um dos meus melhores momentos, se não o melhor.

 

Coletiva do Paradise Lost

Coletiva do Paradise Lost

Qual foi o seu momento mais marcante durante a permanência na Rock Brigade?
Adriano Coelho: Meu melhor momento na revista foi quando o Toninho me liberou para cobrir o Rock in Rio. Eu estava tentando trabalhar como jornalista, tinha acabado de me formar e falei para ele: “Pow Toninho, deixa eu ser jornalista de verdade!” e ele deixou.

Eu viajei ao Rio de Janeiro e conheci o Iron Maiden, conheci o Oasis, Red Hot Chili Pepers, Foo Fighters, o Rob Halford (que uma vez na Woodstok eu havia conseguido autógrafo), Silverchair, Pavilhão 9, encontrei com o Sepultura, que eu já tinha uma amizade com o Paulo que era meu vizinho na praia… e foi um momento lindo, assisti 5 dias de RIR, saiu o meu nome na Rock Brigade…

Foi uma época que me senti bem, decretei que estava feliz na revista. Eu já tinha completado 1 ano de Rock Brigade e foi um presente que ele me deu.

com Rob Halford no Rock In Rio

com Rob Halford no Rock In Rio

Você também trabalhou na Editora HMP para as revistas Valhalla e Cover Guitarra. O que esse trabalho agregou em sua carreira?
Adriano Coelho: A editora HMP foi a editora das revistas Valhalla e Cover Guitarra,e me trouxe momentos bons e ruins. Foi bom porque conheci pessoas maravilhosas que até hoje eu tenho contato, jornalistas de verdade, pessoas descoladas e um deles é o Diego, que até hoje frequenta a minha casa.

Era uma editora que pensava grande como estrutura, mas tinha aquele problema de não querer registrar funcionários, igual a todas as revistas de rock, essa coisa “rock’´n’roll” demais. Reconheço que tinha muita gente, muitas revistas… você se sentia em uma redação. Tive problemas com uma funcionária chamada Veruska, que é a única pessoa do rock, do meio da música, que eu não quero amizade. Todas as pessoas que eu possa vir a discutir, eu posso vir a perdoar, menos ela.

Colocava muito empecilho, muita pedra no meu caminho e é áquilo: você não pode “aparecer” no meio da música, você não pode conhecer muita gente, você não pode ter muita atividade e você não pode ser descolado que você gera inveja, então foi muita competição entre nós, muita ordem, muita pedra no meu caminho e uma hora eu não aguentei e tive que cair fora, joguei a toalha e perdi. Tive que trabalhar em casa por 3 meses porque o patrão não aguentava as nossas brigas e ela acabou vencendo, eu saí fora.

A HMP não durou muito tempo mas foi um momento bom, eu poderia ter ficado mais tempo lá e me arrependo muito de não ter largado o marketing e de não ter ficado só na parte jornalística, porque lá tinham jornalistas de verdade, não desmerecendo o pessoal da Rock Brigade, pelo amor de Deus, pois eram pessoas que escreviam muito bem e sabiam muito bem de rock, mas na HMP eu acho que as pessoas tinham mais postura jornalística.

Como foram as suas experiências com assessoria musical, produção e eventos?
Adriano Coelho: Com assessoria foi em 2005, quando eu não estava mais feliz com a HMP e com os problemas citados acima. Eu e o Guima resolvemos montar uma empresa, tanto que a Carol, a minha ex namorada, fazia assessoria. Não vingou muito e quando a gente estava fazendo a assessoria da Thorns, um evento gótico que foi o melhor trabalho nosso, o Mauricio que era o dono, foi assassinado em um assalto.

Foi puxar o freio de mão e o bandido achou que era uma arma e atirou. Isso desanimou muito a gente e eu, esporádicamente, comecei a fazer assessorias, o pessoal perguntava se eu não gostaria de fazer para eles e eu fazia. Há dois anos que não faço mais, a última foi para um evento de pilates,  com o rock eu nem sei mais quanto tempo faz. Cheguei a fazer de teatro, de uma cantora de jazz, mas rock faz tempo. Produção foi quando o Rick, da FreePass, me deu a chance de fazer assessoria com ele e ajudar na produção.

Ficamos de 2010 a 2012 trabalhando em grandes turnês, trabalhei com Stratovarius, Helloween, Phil Anselmo, Slash, Avantasia… foi assim, muito legal, ele era uma pessoa muito paciente com a gente, dava chance pra todo mundo, só que depois, em 2012, começou a rolar um estresse entre a gente e é uma coisa até difícil de explicar, as ideias não batiam e nem sabemos explicar o por quê. Desde então não nos falamos mais, rolaram algumas fofoquinhas, eu fui barrado em alguns shows que ele fez e eu até mandei email o xingando. Perdemos contato.

com Marky Ramone e Michael Graves ( Misfits)

com Marky Ramone e Michael Graves ( Misfits)

Ocorreram situações embaraçosas durante as inúmeras coberturas e entrevistas que fez ao longo da carreira de jornalista? Se sim, como aconteceram?
Adriano Coelho: Olha, eu sempre tive dificuldade para falar inglês, morei um mês na Inglaterra e hoje eu acho que isso foi apenas uma coisa que coloquei na minha cabeça. Uma vez, o Fernando e o Franzin fizeram um teste de fogo comigo fazendo eu entrevistar o vocalista do Therion.

Eles deram as perguntas em inglês e falaram: “Você vai lá, pega o seu gravador e você vai fazer a entrevista com ele e de preferência não deixa ele ver…” e eu disfarçava que as perguntas eram minhas e fui fazendo. Foi uma coisa legal, porque a gente tem que perder o medo, ninguém nasceu sabendo falar inglês e foi um puta papo bacana, depois terminou a entrevista e ficamos conversando, ele comentou que São Paulo é uma cidade muito grande… eu me senti tão bem com ele que fiquei conversando numa boa. Uma vez aconteceu isso com os músicos do Korn e foi na HMP.

Fui entrevistar o HammerFall e eles fizeram eu fazer a entrevista da minha casa, por telefone. Liguei para o Oscar e de cara disse que meu inglês era ruim e ele brincou dizendo que o dele também era (risos). Depois eu entrevistei o Soilwork, Stratovarius, Destruction, aliás, o Schirmer do Destruction ficou bravo porque eu perguntei se as capas da banda eram violentas e ele disse que não era violenta, que eu que não entendi a mensagem, e foi mais ou menos isso, passei por muitas aventuras.

Uma vez fiquei com a baixista do Christian Death e ela me disse que queria ficar com uma mulher, se não tinha como eu arrumar uma para ela, outra vez o Phil Anselmo disse que eu era bonito, se ele poderia me dar um beijo e eu falei que não (risos), lá em Curitiba. Também tinha as bandas que pediam para você ir atrás de drogas e eu sempre negava. Um dia eu estava discotecando no Dynamo Bar, que era do Eric de Haas, o pessoal do Cradle of Filth pediu Motley Crue, em outra o Grave Diger pediu música latina, o Stratovarius pediu música eletrônica para dançar… e aí são essas coisas engraçadas que você contava para os outros e ninguém acreditava.

São muitas passagens, uma vez discuti com o roadie do HammerFall também, pois eu estava no palco, sendo que a banda nos liberou para ficar lá, e ele veio e empurrou a gente. Dei um tapa na mão dele, comecei a enfiar o dedo na cara dele e quando acabou o show ele me pediu desculpas, me abraçou e disse que era o seu trabalho… depois ficou tudo bem. Foram muitas aventuras, no interior do Brasil então, eram muitas que aconteciam.

discotecando no extinto Dynamo Bar

Discotecando no extinto Dynamo Bar

“TV Rock On line” foi um programa de entrevistas realizadas por você, que durou cerca de 2 anos. Conte como surgiu esse programa e quais são as suas melhores lembranças dele?
Adriano Coelho: A TV Rock aconteceu numa época que eu estava muito ruim, eu havia feito o trabalho de assessoria que eu comentei, havia me endividado muito com bancos e financeiras, não conseguia pagar e entrei em uma depressão muito forte.

Um dia, mexendo no site da Kiss FM, eu vi o slogan da TV Rock, entrei e gostei do projeto. Me ofereci para trabalhar lá e trabalhei por 2 anos e meio. Era maravilhoso, muito bom, tivemos estagiários que hoje estão na Globo, que hoje estão em veículos grandes, só que era formado por pessoas que não eram conhecedoras de rock e isso deu muito atrito, eles não eram acessíveis para fazer anúncios mais baratos para entrar no comércio, eles não sabiam fazer parcerias… houve muita coisa errada e eu resolvi pular fora.

Mas, na TV Rock foi onde eu tive mais liberdade de escrever, de falar, apresentei programas… tenho até hoje entrevistas com o Cólera, MariMoon, André Mattos, Edu Falashi… estão até hoje no youtube, então foi um bom momento da minha vida e acho que na TV Rock foi onde eu mais me desenvolvi jornalísticamente. Fico até chateado que não deu certo e também por termos brigado na justiça.

Entrevistando Andreas Kisser na TV Rock

Entrevistando Andreas Kisser na TV Rock

 

com MariMoon na TV Rock

com MariMoon na TV Rock

Provavelmente você já tenha passado por momentos que te marcaram de alguma forma durante a sua jornada no rock. Algum(s) que queria compartilhar?
Adriano Coelho: Jornadas no rock foram várias que eu passei, 15 anos trabalhando nisso foi um divisor de águas, tem hora que eu acho maravilhoso, tem hora que acho que perdi tempo. Assim, tem muita coisa boa, foi uma vida muito constante, muito intensa, com muitas viagens, muitas festas, conhecia mulheres… uma vida que todo homem queria ter, mas sem estrutura, com pouco dinheiro e muitos gastos.

Então, quando eu tiver com 70/80 anos é que eu vou dizer se foi muito bom ou se não foi tudo isso, se foi uma ilusão. Por enquanto eu tenho carinho quando lembro e será no futuro que saberei se foi tão bom assim.

Com o baixista Duff, no festival Maquinaria

Com o baixista Duff, no festival Maquinaria

Houve algum músico que você tenha trabalhado ou entrevistado e que tenha te feito estremecer por ser muito fã?
Adriano Coelho: Olha, eu conheci muitos músicos, mas é lógico que o Iron Maiden, o Rush e o Deep Purple me deixaram emocionados por conhecer. Eu ganhei uma vez do Helloween um casaco, o Steve Harris me deu uma propaganda de um bar que ele tem em Portugal, ganhei palheta do Slash, baqueta do Matt Sorum, quando ele estava no The Cult… então foi muito legal.

O Slash, quando viajei com ele pela FreePass, conversando no avião, eu contando que assisti ao show dele no RIR em 91, ele disse que até hoje se emociona com aquele show… e rolou uma amizade. Na hora de ir embora ele veio me dar tchau, eu abracei ele e disse que não acreditava que havíamos trabalhado juntos e ele disse que tinha gostado de mim, que quem sabe trabalharíamos mais uma vez… mas quando o Slash voltou não fui escalado. Foi uma coisa maravilhosa, ele é uma grande pessoa.

Tem o Phil Anselmo que apesar da brincadeira que eu falei que ele quis me beijar, foi engraçado (risos), eu contei que vi o show no Olympia, em 93, ele me perguntando quantos anos eu tinha, pois achava que eu era mais jovem, me chamava para trocar ideia, ele e a mulher dele me convidaram para tomar cervejas… parecia amigo de infância. O pior foi o Malmsteen, que é um bosta, um lixo.

Em 2001 a Rock Brigade o trouxe e ele só falava palavrão, encanou que o Franzin estava com a camiseta do Ramones, eu estava com a camiseta do The Mission e ele começou a me olhar feio, estava eu e o Aquiles Priester no camarim, não nos sentimos bem e saímos, ele é um babaca. Mas o Slash foi o que mais teve sintonia, foi muito legal, se eu fosse trabalhar com ele de verdade, fazer turnê, iria rolar de eu trabalhar muito bem com ele.

com o guitarrista Slash

com o guitarrista Slash

De tudo o que você já realizou, do que você mais sente falta?
Adriano Coelho: Eu sinto falta daquela coisa de gravadora, de ir até elas e saber os lançamentos, marcar entrevistas, ir aos happy hours, ir para o Rio de Janeiro a cada 3 ou 4 meses para saber das novidades, não só do rock como da música em geral, trazer as coisas de lá, ver o que cada estado do Brasil pegava, o que cada país pegava,… sinto falta daquele contato com as gravadoras.

Ganhava cds, ganhava dvds, a amizade que rolou com a galera, o pessoal do Rio de Janeiro vinha para São Paulo e avisava para sairmos juntos, eu ia para o Rio e de vez em quando almoçava com alguém das gravadoras, rolava uma amizade legal. Recentemente encontrei um rapaz da EMI do Rio no LollaPalooza, ele me reconheceu e lembrou de como era legal aquela época quando eu ia para lá ou quando ele vinha para cá.

Rolava uma química, uma coisa muito bacana, a galera era muito descolada mesmo que não fosse do rock. O que eu mais sinto falta é quando eu passo na Berrini, por exemplo, e vejo os prédios onde eram as gravadoras, eu fico até emocionado, porque foi um momento muito bom para mim. Eu fui no reveillon passado para o Rio de Janeiro e passei perto da Sony Music e da EMI e lembrei de tudo isso.

com a cantora Tarja

com a cantora Tarja

A ONG “Associação Cultural Dynamite” fundada pelo Andre Pomba em 1991, começou como revista, se tornando em 2002 um dos portais pioneiros de música mais importantes do país. 2016 foi o ano que completou 25 anos, contudo, também foi o ano que encerrou as suas atividades. Também havia o Dynamite Pub, que durou 12 anos. Você trabalhou como gerente do Pub e casa noturna, além de desenvolver matérias para o site através de entrevistas. Conte mais um pouco sobre a importância que a Dynamite teve para o cenário musical do país. Porque acabou?
Adriano Coelho: Eu sempre admirei esse lado do Pomba de colocar coisas diferentes na Dynamite, outros estilos no momento que só se falava de heavy metal no Brasil, onde todas as revistas, todos os estilos de rock era sobre heavy metal. O conheci em 2000, quando entrei na Rock Brigade e ele já estava com a Dynamite há quase 10 anos.

Em 2014 eu estava trabalhando com o meu pai no estacionamento e o Pomba me resgatou para o rock, ele disse que teria uma ONG, um site e uma casa noturna e perguntou se eu estaria afim de encarar, aceitei e foi legal porque eu voltei a trabalhar com isso. Montei um blog no site dele que não era só de música, entrevistei Décio Piccinini, Paulo Calçade, a atriz Suzana Pires,… fizemos altos eventos lá na casa, desde Parada Gay até balada de metal extremo. Foi bacana, mas haviam problemas, tinham os obstáculos. Daí começamos a fazer com a ONG, cursos de DJ e Taekwondo de graça e começou a rolar uns lances legais, o pessoal de teatro ia ensaiar lá também de graça. Infelizmente o Pomba se candidatou duas vezes e não foi candidato, ele se dedicou muito e isso não aconteceu.

A Dynamite acabou fechando, o site está fora do ar e eu ainda tenho esperanças que tudo isso volte um dia, mesmo que não for para eu voltar a trabalhar com ele, mas que volte. Eu sei sobre a sua luta em relação ao Underground, a música, a cultura e a arte. E foi assim, foi só um ano que eu trabalhei com ele, mas foi muito bom, conseguimos realizar muitas coisas dentro do pub e os eventos eram engraçados. Uma hora tinha evento para maiores de dezoito anos tipo noite de fetiches, na outra tinha para uma galera mais conservadora, de Punk, de música eletrônica… era uma caixinha de surpresas. Para o site, cobri muitos shows para a Dynamite, então foi muito legal e espero que um dia o Pomba possa trazer de volta tudo isso.

Com Décio Piccinini, em entrevista para a Dynamite

Com Décio Piccinini, em entrevista para a Dynamite

Como você avalia o atual cenário do rock nacional?
Adriano Coelho: Minha opinião é que se você quer fazer letras em português e quiser permanecer no cenário musical, tem que fazer letras rebeldes que são aceitas pelas rádios, assim como Titãs e Raimundos fizeram músicas que falavam de igreja e política, mas de uma forma aceitável, e são bandas que ficarão para sempre.

Se quiser cantar em inglês, como o Sepultura, o Krisiun e o Angra, tem que pensar primeiro no mercado lá de fora, joga tudo pra lá, esquece o Brasil, pois você só fará sucesso por aqui quando for reconhecido no exterior e não adianta insistir, ficar com essas coisas de que ninguém apoia o metal nacional… quando banda brasileira abre para alguma banda gringa, as pessoas esperam acabar a apresentação para entrar no show principal e todo mundo sabe disso, então invista em outros países, porque se você fizer sucesso fora daqui, te olharão com outros olhos.

Também pode fazer uma banda cover, como o Destroyer Kiss que está há 30 anos na praça e já se apresentaram no Faustão, na Gimenez, no Jô Soares… então ou você faz uma banda cover clássica, ou você faz umas letras rebeldes aceitáveis que aí vira polêmica e é aceito pelos rockeiros e não rockeiros, no caso do Raimundos, ou faça o que o Krisiun e o Angra fizeram e insistam lá fora para fazerem sucesso por aqui. São esses 3 caminhos.

O grande momento do rock nacional, para mim, foi nos anos 70 com os Mutantes, Rita Lee, Raul Seixas, Tutti Frutti, Casa das Máquinas, o Joelho de Porco, que era um rock que falava o que queriam e tinha uma postura rebelde em época de ditadura militar, então eles soavam como rock.

O pior momento foi nos anos 80, bandas como Kid Abelha, o próprio Paralamas do Sucesso, algumas músicas do Paralamas, não todas, algumas bandas pops que sumiram do cenário como Bombom, Metrô, que são aquelas coisas pops descartáveis, de musiquinha de novelas, de programa do Chacrinha… aquilo distorceu tudo, tanto que de outro lado surgiram as bandas punks como Cólera, Ratos de Porão, o Garotos Podres que eram um ataque a esse rock muito comercial, muito pop dos anos 80.

Na sua opinião, quais os prós e contras do papel da internet atualmente na mídia?
Adriano Coelho: A internet é uma coisa inevitável, não dá para viver sem ela e já assustava quando eu entrei na Rock Brigade. Gravadoras se deram mal, despachantes, a MTV acabou por causa da internet, as revistas acabaram, aliás, quem vai anunciar em uma revista? Pra quê lançar uma revista com uma notícia que aconteceu há 3 semanas se pela internet se descobre na hora? Muita gente perdendo emprego em jornais porque a mídia virou digital, hoje tem blogueiros que nem jornalistas são… então atrapalhou muito para quem era do jornalismo, para quem era do marketing.

Por outro lado a cultura musical cresceu, você pode pesquisar mais, por exemplo: antigamente você tinha que ouvir rádio para conhecer música, tinha que ir na casa de amigos seus para escutar discos que eles tinham, arriscar de ir na Galeria do Rock comprar disco sem saber se ele era bom e hoje você pode baixar uma discografia completa, escutar pelo youtube e até fazer uma festa ouvindo por lá, então se alguém falar de um cantor que você não conhece, você vai e escuta. Para quem produz shows, para músicos e para quem trabalha com música e quiser mostrar seu trabalho, a internet é maravilhosa. É evolução!

É sabido que a mídia impressa atravessa por um momento difícil em consequência da mídia digital. Saberia distinguir a época que começou esse “declínio”? Como isso te afetou?
Adriano Coelho: É como você falou, a mídia impressa… eu não digo dias contados porque diziam que quando surgiu o rádio o jornal iria acabar, surgiu a televisão então acabaria o rádio, surgiu o video cassete acabaria o cinema… acho que ninguém acaba com ninguém, você não precisa tanto de uma revista, a revista virou um lazer, por exemplo, você está de férias em uma praia e compra, vê uma capa interessante e pode querer comprar.

Virou algo que você liga a internet hoje e já tem todas as notícias, todas as dúvidas, todas as dicas e eu acho que a revista se encaixa nisso. Achavam que pelo roqueiro ser muito fiel, as de rock não poderiam acabar, e não foi bem assim, a Roadie Crew está de pé, a Comando Rock está na luta, a Rolling Stones, que não é bem uma revista de rock, está aí acreditando… e vida longa para todas elas, mas você não precisa mais de uma revista para conhecer um músico, para ler uma entrevista e para ficar informatizado. Acabar não vai, mas não é mais como antigamente, a revista Veja vendia 1 milhão, hoje eu duvido que ela venda meio milhão, duvido!

Você trabalhou com eventos que não tinham relação com o rock, como os de costume. Como foi o processo de adaptação, foi fácil?
Adriano Coelho: Em 2010, quando eu saí da TV Rock, eu vi que estava namorando e que estava na hora de encerrar aquela minha vida “rock’n’roll”, fui morar sozinho e para ter uma esposa, se eu fosse pai um dia, não daria para eu trabalhar e viver naquela vida.

Surgiu oportunidade para trabalhar com sertanejo, que eu nunca gostei desse estilo e continuo não gostando, mas eu fui, depois surgiram oportunidades para trabalhar de barman, muitas feiras,… e fui aceitando, não me arrependi, pois estava na hora de abrir a cabeça. Também trabalhei muito com carnaval, foram longos anos de sambódromo, eu particularmente gosto de desfiles de escolas de samba.

O pessoal do rock me condena mas eu gosto, gosto mesmo e é uma coisa minha e foi legal, conheci pessoas diferentes, abri a cabeça e a gente tem que mudar, até mesmo para valorizar aquilo que a gente gosta, para sentirmos saudades e continuarmos admirando aquilo que gostamos.

com Max cavaleira e a camiseta do seu time de coração

com Max cavaleira e a camiseta do seu time de coração

Falemos agora do Adriano Coelho escritor. Como surgiu essa ideia?
Adriano Coelho: Em 1993 eu estava na praia de Camburi com meu pai e alguns amigos de infância contando histórias de quando éramos jovens, lembranças de baladas, brigas, aventuras… e todos começamos a dar risadas e começamos a contar histórias do Brás, que foi um bairro que morei por muitos anos, e nisso tive a ideia de escrever um livro sobre histórias nossas e comecei a escrever.

Um dia saí para fazer compras, fui a vários lugares e perdi o livro, procurei por todos os cantos que havia ido e não encontrei, deixei quieto e disse que um dia escreveria um livro. Em 2010 eu estava trabalhando em um rodeio e me senti meio largado, distante do rock, com medo de não escrever mais, o mundo jornalístico estava acabando na minha vida. Fui a uma banca de jornal, logo cedo, e tinha um livro sobre Copas do Mundo, que o PVC escreveu: “Os 55 Maiores Jogos das Copas do Mundo”, comprei e falei que faria um livro sobre futebol. Quando comecei a escrever, dois amigos meus se ofereceram para patrocinar e deu certo.

No dia do lançamento do livro, que inclusive você estava presente, eu prometi para mim mesmo que nunca mais pararia de escrever. Eu tinha um site sobre atrizes de Hollywood que eu transformei em livro e hoje eu praticamente trabalho só com isso. Trabalho em uma empresa onde escrevo livros para ela e temos um projeto de tentar lançar 4 livros até o final do ano ou início de 2018.

Você é apaixonado por futebol e um grande conhecedor do assunto, sendo que o seu primeiro livro publicado foi o “100 Maiores Jogos do Brasileirão”. Como foi todo o processo de escrita e pesquisas? Durou quanto tempo para finalizá-lo?
Adriano Coelho: Ah, eu sempre tive uma paixão muito grande pelo futebol, desde criança. Aos 10 anos de idade, em 81, eu já comprava a revista Placar. O meu tio era colecionador e ele tinha a revista de 1970, de quando o Brasil foi Tricampeão e ele guardou, na época aos 17 anos e me deu essa revista que até hoje está comigo.

Cheguei a fazer, quando cursava faculdade, uma matéria lá em 97. Quando eu não consegui realizar o sonho de trabalhar com futebol, eu me ofereci para escrever em dois sites de graça mesmo, que era para eu tentar me lançar no futebol. Nessas, os caras falavam que eu conhecia muito de futebol, que deveria escrever um livro e eu guardei aquilo na cabeça, então, na Bienal do livro, acho que em 2006, fui numa editora chamada Pontes, que era só de futebol e comentei com eles.

Em 2008 fui novamente e eles falaram: “Pô, porque você não escreve? Fala com a gente!”… e foi essa ideia que nasceu e falei: “Pronto, vou escrever sobre Campeonato Brasileiro!”. Se fala muito sobre Copa do Mundo, mas Campeonato Brasileiro não tinha um livro, aliás, tinha um só que eu vi uma vez e pensei em escrever um sobre esse tema, que tem muita, muita, muita história.

A editora achou legal, os patrocinadores também acharam, gostaram da ideia, pois peguei dois patrocinadores que eu sabia que eram muito apaixonados por futebol e lançamos. Foi um sucesso, o Geraldo Alckmin gostou, Fausto Silva gostou, ex jogadores como o Careca e o Edu Bala que jogou no Palmeiras me elogiaram, jornalistas como o próprio PVC, Mauro Beting, o Pepe que jogou no Santos nos anos 60, que é pai de um amigo nosso, o Pepinho, também elogiou muito e muita gente fez elogios, o Calil, que é um jornalista elogiou demais o livro, e pow, é lógico que mexeu comigo, o Evair ganhou livro, o Marcelinho Carioca ganhou, o Zetti, o Edu do Santos, o Belletti e vários jogadores ganharam, aliás, tenho fotos de vários deles com o livro na mão, então foi uma conquista na minha vida, eu que fui um garoto muito perna de pau jogando futebol e tinha uma revolta por causa disso, tinha tanta revolta de futebol que me neguei a praticar outros esportes, mas hoje eu pratico Kung Fu e tenho muito amor por ele, então foi muito importante para mim, pelo termo jornalístico e pela  minha paixão pelo futebol.

presenteando o craque Ademar da Guia com seu primeiro livro "100 Maiores Jogos do Brasileirão".

presenteando o craque Ademar da Guia com seu primeiro livro “100 Maiores Jogos do Brasileirão”.

O seu segundo livro aborda mulheres e cinema: “Musas – O momento das mulheres através do cinema”. De onde partiu a ideia desse tema?
Adriano Coelho: Em 2002 eu estava fazendo um trabalho de web designer e aí tinha que montar páginas e na minha sala só tinha adolescentes, eu tinha 31 anos e os moleques tinham 18/19, então fizemos uma sobre o pentacampeonato do Brasil, depois sobre carros antigos e na época eu estava cansado de só escrever sobre rock, rock, rock… eu escrevia em dois sites de futebol, que eu comentei já, e eu queria escrever sobre algum assunto que não seria nem de futebol e nem de rock.

Um dia, estava passando em uma livraria e vi a biografia da Brigite Bardot, achei interessante, comprei e comecei a ler e com isso despertou vontade de conhecer outras atrizes, lembro que baixei na internet a história da Catherine Deneuve, Jane Fonda,… e comecei a admirar as mulheres dessa época, dos anos 50 e 60, por tudo, pelas batalhas delas, pelo machismo que enfrentaram, a forma que elas viraram divas, nossa, imagina nos anos 30 uma mulher mostrar as pernas, achei aquilo maravilhoso.

Fiz um trabalho de 26 atrizes, então quando lancei o livro eu coloquei 62, eu peguei outras que foram reprovadas e fiz. Gente, foi uma coisa maravilhosa, o único problema desse livro é que eu sou realista e eu falo do drama que essas mulheres sofreram, não só como famosas e bonitas, mas como a depressão, bebidas, drogas, traições, amores não correspondidos,… e muita mulher que comprou o livro imaginou que eu iria, como é que vou dizer, engrandecer muito essas mulheres e na hora elas acharam o livro muito dramático.

Já com os homens foi ao contrário, teve amigo meu que comprou só para me ajudar, imaginou uma coisa muito feminina e falou que não, que fala muito de cinema e sobre depressão de artistas, sei lá, aquela coisa que o artista tem que sustentar e não consegue… acabou que ficou mais querido pelos homens do que pelas mulheres.

Sessão de autógrafos do seu segundo livro: "Musas"

Sessão de autógrafos do seu segundo livro: “Musas”

Ambos são livros não relacionados à música. Poderíamos esperar por algo do gênero futuramente?
Adriano Coelho: Sim gente, eu deixei o tema por último, estou fazendo um livro sobre o assunto há mais de 3 anos e está muito difícil de terminá-lo porque será muito grande. Eu não vou falar o tema por enquanto. Uma vez o Evaldo, da Kiss Fm, me falou assim: ” Vem cá, e de rock você não vai escrever?”… então fiquem tranquilos que vai sair um sobre o rock e sairá muito legal, estou colocando todas as minhas forças, a dedicação é muito maior, então já estou nessa há 3 anos e meio e ainda acho que vai demorar mais um pouco porque agora ando sem tempo, pois ainda estou escrevendo outros para a empresa que trabalho. Esse terceiro livro sobre o rock vai abalar o mercado porque será uma coisa muito grande, com muita informação, muitas histórias… esse é para causar!

Você também participa todos os anos da Festa de São Vito como voluntário. Como funciona esse trabalho?
Adriano Coelho: Como eu falei, os meus pais vieram da europa muito novos. Os meus avós chegaram no Brasil em 50/51 e eles eram muito jovens, já tinham a minha mãe, e tiveram dois filhos no Brasil. Meu pai é de Portugal, minha avó veio de lá com dois filhos e teve mais dois aqui.

Vieram todos para o Brás e eu morei no bairro do dia que eu nasci até os meus 28 anos. Minha mãe viveu a infância, a adolescência, a juventude, praticamente a fase adulta toda no Brás. Minha avó também saiu com mais de 50 anos de idade, então a gente tem um laço muito grande com o bairro, conhecemos muita gente, tenho amigos que os meus pais eram amigos de baladas, tem amigos meus da época que meus avós se conheceram na década de 50, então é um laço muito grande.

Quando estava para mudar de lá em 99 e fui para a Móoca, resolvi ajudar o clube. Já tinha a quermesse, desde adolescente me chamavam para trabalhar e eu não queria porque queria aproveitar a festa, daí quando eu estava chegando aos 30 anos, resolvi ajudar. Já estou há 17 anos e é gratificante, é uma comunidade, uma festa onde encontra-se muitas pessoas do passado, comparecem artistas de televisão, pessoas famosas e você se diverte. É tipicamente italiana, do sul da Italía, com muitas músicas dos anos 50 e 60. Algo bem diferenciado que todos deveriam conhecer.

Fazendo Guimirella na São Vito com a amiga Gina

Fazendo Guimirella na São Vito com a amiga Gina

Atualmente você anda distanciado da rotina que tinha no meio musical. Por quê?
Adriano Coelho: Olha vou ser sincero, eu me cansei de algumas coisas. Da Rock Brigade até a FreePass a galera me ligava, pedia ingressos, fazia muita festa quando me via em um show… na época que eu saí da FreePass e fui trabalhar com outros eventos fora do rock, quando comecei a trabalhar com o meu pai em um estacionamento, fiquei um ano afastado e fui a dois ou três shows, aí eu não via ninguém me chamando, ninguém fazendo festa pra mim, ninguém me procurando… pessoal fazendo comemorações de aniversários e não me chamando, então eu senti uma certa falsidade no meio da galera da música.

Estou sendo sincero para você, isso não é para todo mundo, muitos concordarão comigo, falsidade tem em todos os meios da sociedade, mas talvez eu achei que seria diferente. Quando eu lancei o meu livro de futebol, a galera do rock foi a que menos compareceu, foi amigo de faculdade, amigo de evento, amigo de infância, amigo da minha família, mas o pessoal do rock, foram poucos. Acho que quando eu lançar o livro sobre o rock será diferente. Então eu senti um pouco disso, de amigos que passaram a ser colegas, então eu me afastei um pouco.

Eu gosto de ir a festivais como o LollaPalooza por exemplo, o Monsters, o Rock In Rio e o Maximus com bandas que eu nunca ví, tem muitas bandas que eu nunca fui fã, que eu vi uma vez, duas e eu nem faço questão de ver. Você vai cansando, continuo sendo do rock mas é lógico que há 27 anos indo a shows, algumas coisas já me cansaram. Se eu ficar muito tempo sem ir a algum show eu sinto falta, mas também não tenho mais o pique de ir toda hora a todos os shows, e é o que eu falei, comecei a procurar outras coisas. A minha irmã é bailarina, dança há 30 anos, a minha mãe também dançou com ela há muitos anos atrás e então de uns tempos pra cá eu comecei a fazer Kung Fu na academia que ela era professora e hoje ela é proprietária, desde janeiro desse ano.

Comecei a ir a muitos eventos na academia de dança, participei de dois eventos que fizeram, comecei a assistir a mais shows de flamenco, de dança do ventre, de balé… uma coisa diferente que sempre admirei, entendeu? Um cara que sempre frequentou hardcore e heavy metal e hoje assiste show de balé. É por aí gente, porque foi uma coisa que eu sempre gostei, adorei, estou escrevendo os livros e hoje estou ajudando minha irmã através de uma arte que eu sempre gostei mas que poucas pessoas sabiam.

E para finalizar, quais os seus planos para o futuro?
Adriano Coelho: Olha, aprendi uma coisa que é não fazer muitos planos, porque quando não dá certo a queda é muito grande. Quando você revela muito os seus planos, não é todo mundo que torce por você. As pessoas podem não querer te ver na merda, mas ninguém quer te ver melhor que elas e isso infelizmente é uma verdade.

Bom, eu pretendo continuar escrevendo livros, ajudar minha irmã diretamente ou indiretamente, inclusive fazendo eventos ligados a dança, ligados a música. Pretendo voltar a me dedicar ao Kung Fu, a fazer apresentações, e outras ideias que tenho tipo fazer um documentário e escrever roteiro de peça de teatro. São coisas que estão na gaveta, são ideias que quem sabe né? E porque não até produzir show de rock mais pra frente? Lógico que se aparecer um site sério para eu escrever, que pague o mínimo, porque hoje em dia todo mundo escreve de graça, tira foto de graça e muitos jornalistas ficam a ver navios, muitos fotógrafos se deram mal, virou “festa do caqui”.

Até posso colaborar com um site ou com outro, uma, duas ou três vezes, mas eu acho meio anti-ético isso aí, principalmente quando são meios renumerados tipos sites e revistas que entra dinheiro, entra anúncio e as pessoas escrevem de graça, no caso do seu que não tem verba nenhuma eu até entendo, mas tem sites que ficaram muito grandes, lotados de anúncios mas que não pagam aos seus colaboradores. Hoje você não vê um jornalista formado em um show fazendo resenha, então eu to meio fora, pretendo produzir shows, talvez voltar a escrever…

na Alemanha assistindo ao jogo do Hamburgo

na Alemanha assistindo ao jogo do Hamburgo

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