Cobertura de Shows

Empolgação demais, pedal quebrado e fim antecipado pra Jesus Chapado

Confira o que rolou no show da banda Stoned Jesus em São Paulo!

Foto por Carol Marinho Martin

Confira o que rolou no show da banda Stoned Jesus em São Paulo!

Aconteceu no último sábado, 19 de agosto, no Clash Club (São Paulo/SP), o show da STONED JESUS, banda de doom/stoner rock da Ucrânia que é uma mistura de Black Sabbath, Led Zeppelin, Eletric Wizard e Sleep. A banda já esteve por aqui em 2016 e retornou para a “Five Thunders Roar Tour”, turnê de comemoração dos cinco anos de lançamento do álbum “Seven Thunders Roar”. A abertura ficou por conta da RED MESS, banda de crimson stoner de Londrina criada em 2012, e da COBALT BLUE, banda de rock progressivo psicodélico de Florianópolis criada em 2011.

Platéia lotada para ver Stoned Jesus (Foto por Carol Marinho Martin)

Para essa turnê, a banda tem Igor Sydorenko nos vocais e na guitarra, Sergii Allergii no baixo e Dmitry Zinchenko na bateria substituindo Viktor Kondratov, que saiu da banda no começo de agosto. Para o show de sábado, a banda havia preparado um setlist com sete músicas. Abriu com “Stormy Monday”, seguida de “Bright Like the Morning”, “Electric Mistress” e “Indian”.

Baterista Dmitry Zinchenko (Foto por Carol Marinho Martin)

A linha de frente com o baixista Sergii Allergii e o vocalista e guitarrista Igor Sydorenko
(Foto por Carol Marinho Martin)

Com gritos de “Jesus Chapado”, a animada e numerosa plateia (que misturava jovens, mulheres, homens cabeludos e senhores de meia idade) acompanhava todas as músicas com entusiasmo. Há que se dizer que, em certos momentos, com entusiasmo demais. Uma fã subiu ao palco e ali permaneceu uma música inteira, ainda que o segurança tenha tentado tirá-la. Foi inclusive convidada pelo próprio vocalista e guitarrista Igor a cantar parte dela. Ao fim da música, ela “mergulhou” do palco em direção à platéia.

O vocalista e guitarrista Igor Sydorenko convida a fã para cantar junto com ele (Foto por Carol Marinho Martin)

Mas a excitação geral que pairava no ar abalou mais uns que outros. Num determinado intervalo entre músicas, o baixista Sergii arremessou de volta às pessoas uma lata de cerveja que havia sido jogada no palco. Sabe-se lá a razão, a lata foi novamente arremessada na direção do baixista. Clima de tensão instaurado entre plateia e público.

Ao término da canção mais aguardada da noite, “I’m the Mountain”, a fã que cantou com a banda minutos antes voltou ao palco e, por descuido, quebrou o pedal da guitarra de Igor. Após o incidente, a banda abruptamente deixou o palco. A maioria das pessoas ficou sem entender o que havia passado. Parte da equipe da organização correu para o camarim enquanto seguranças discutiam com a garota afim de expulsá-la da casa.

Há que se destacar a atitude de algumas pessoas da plateia. Enquanto uma mulher puxava a fã empolgada para longe do palco para que ela não fosse linchada, parte da plateia incentivava o uso da força do segurança masculino para “manter a ordem” do local. Ao mesmo tempo em que fãs lamentavam a interrupção do show culpando a fã empolgada, outros criticavam a atitude “anti-rock’n’roll” e “fresca” da banda.

O vocalista e guitarrista Igor Sydorenko (Foto por Carol Marinho Martin)

Passados alguns minutos, a banda retorna ao palco e fecha o show com “Here Come The Robots”, depois de pouco mais de 45 minutos de espetáculo. As portas do Clash Club abrem-se e a plateia começa a esvaziar o local sem a chance de ter ouvido a única música que faltava, “Black Woods”. Na saída, havia um clima geral de desânimo e frustração, mas uma certa excitação por ter acabado de sair de um show coeso, tocado vigorosamente por músicos que, ainda que “alérgicos a passagens de som”, são “viciados em turnês”. E isso fica evidente.

Na mesma noite, no Instagram, a banda explicou o ocorrido:

Reprodução: Instagram @stonedjesusband

Tradução: Você viaja milhares de milhas para dar toda a sua arte às pessoas, e isso é uma coisa muito mágica e frágil. Tão frágeis quando nossos pedais quando pisoteados por uma fã bêbada. É por isso que não podíamos tocar mais – literalmente não podíamos. E onde estava a SEGURANÇA quando você mais precisa dela?… Ainda te amamos, São Paulo, e sempre amaremos. Desculpem( #qpee

Essa não é a primeira vez em que um artista abandona o palco ou interrompe um show por causa da plateia. Pedi ajuda com exemplos desse tipo de ocorrência e alguns casos famosos foram citados.

Veja:
1) Courtney Love, vocalista da Hole, abandonou o show da banda durante o festival SWU, em 2011, porque um fã mostrava uma bandeira com o rosto do seu falecido, Kurt Cobain. Ela só voltou ao palco sob a condição da plateia gritar “Foo Fighters are gay”. Veja aqui:

2) Um fã tentou ferir Renato Russo no último show da Legião Urbana em Brasília, em 1988. Após o ocorrido, Renato parou o show para impedir que o tal fã fosse agredido pelos seguranças e a banda inteira saiu do palco. A plateia detonou o estádio Mané Garrincha e a organização culpou a banda.
Veja aqui:

3) Tom Zé ficou nervoso com o comportamento da plateia durante um show em Bauru, em 2010. O cantor baiano não aguentou o excesso de conversa das pessoas e a falta de atenção e xingou a si mesmo ironicamente. Veja aqui a partir dos 3:45:

4) Axl Rose interrompe um show na Argentina, em 1992, para reclamar de um objeto pontiagudo jogado a ele. Para garantir que a plateia entendesse que se outro objeto fosse jogado no palco ou em qualquer pessoa da plateia o show seria encerrado, o cantor chamou uma intérprete para traduzir seu discurso. Veja aqui:

5) O ASAP Mob, coletivo de hip hop americano, teve uma lata de cerveja jogada no palco durante o show de encerramento do festival SXSW de 2012, no Texas. O rapper Rocky parou o show para acalmar a plateia e sua equipe, mas outra lata voou em sua direção. Isso foi o bastante para que o rapper e todos que estavam no palco descessem para brigar com a plateia. Veja aqui:

E você, o que acha da história? Pense ao som de “Seven Thunders Roar”, disponível aqui:
https://stonedjesus.bandcamp.com/album/seven-thunders-roar

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