Entrevistas

Gel Fernandes: “O RÁDIO TÁXI nunca parou, nunca foi para lugar nenhum”

Gel Fernandes

O grande baterista Gel Fernandes resume sua trajetória musical em entrevista exclusiva para o Line Rockers.

Foto de Álvaro Motta

O grande baterista Gel Fernandes resume sua trajetória musical em entrevista exclusiva para o Line Rockers.

Responsável pelas baquetas do Rádio Táxi, um dos grupos de rock nacional mais influentes dos anos 80 e que abriu as portas para tantos outros que também se consolidaram na mesma década, Gel Fernandes ajudou a eternizar sucessos como “Eva”, “Garota Dourada” e “Um Amor de Verão”, além de ter participado de grupos também influentes como Secos e Molhados, Tutti Frutti e Banda Taffo. Nessa entrevista, Gel fala sobre sua carreira, além de compartilhar histórias curiosas sobre a sua trajetória musical.

Em que momento da sua vida, você pensou em ser músico? E porque escolheu a bateria?
Gel Fernandes: Na verdade pensaram por mim, porque meu irmão , que tinha 7 anos, fazia aula de piano e me colocaram para fazer piano também, eu tinha 5 anos. Fiz 3 anos e depois parei. Aí encanei em tocar Harpa, mas graças a Deus meu pai viu que eu era “fogo de palha” e que eu teria parado também. Fiquei um tempo sem tocar e quando pensei em ser músico mesmo, eu tinha uns 12 anos. Época em que já tinha Beatles e daí eu comecei com a bateria. Eu não sei porque a escolhi como instrumento. Acho que eu gostava de mais barulho, sei lá!

Quais foram as suas referências de bateristas?
Gel Fernandes: Encanei em tocar bateria por causa dos Beatles. Não exatamente por causa do Ringo, mas lógico que a bateria me influenciou naquelas músicas. Stones, Herman´s Hermits, e todas as bandas que tinha na época me influenciaram. Sei lá, encanava mais na bateria mesmo. Depois que eu fui ouvindo outras coisas como Deep Purple com Ian Paice, Yes com o Bill Bruford… foram bateristas diferentes me influenciando. Eu já tocava, sempre ouvindo os caras.

Como foi a sua trajetória musical até tocar na banda Memphis com o Wander Taffo?
Gel Fernandes: Na verdade a banda MEMPHIS já existia. Minha primeira banda foi a SUNDAY, eu tinha aproximadamente 15 anos quando entrei. Entrei na MEMPHIS depois, e o Wander nem tocava ainda, apesar dele ser 2 anos mais velho que eu. Essa foi a primeira banda dele. Ele tinha 17 anos e eu 15. O Dudu França e o Nescau queriam reformular a banda e me chamaram, além do Wander na guitarra e o tecladista Hélio Costa Manso, que já tocava comigo no SUNDAY. Quando eu cheguei para ensaiar, no primeiro ensaio, era o Wander. Foi assim que o conheci.

Gel com Wander Taffo na época do MEMPHIS

Gel com Wander Taffo na época do MEMPHIS

Aos 21 anos, com a saída do Netinho e do Manito, você e seu irmão, o tecladista Fernando Neto, entraram para Os Incríveis. Como surgiu esse convite, e como foi essa experiência?
Gel Fernandes: O meu irmão entrou antes de mim no OS INCRÍVEIS. Ele tocava com o Eduardo Araújo, e saiu para entrar na banda. Na época era um baterista chamado Rogério, quando o Netinho saiu. O Rogério saiu e me convidaram. Foi muito legal, porque tinha o Nenê, o Risonho e o Mingo. O Netinho e o Manito haviam saído, mas continuaram três originais comigo e meu irmão. Toquei com eles por uns 3 anos.

Logo entrou para o Secos e Molhados, e em seguida montaram o Sobrinhos da Rainha, novamente com o Wander. Como foi acontecendo?
Gel Fernandes: Fizemos pouquíssimos shows com o SECOS E MOLHADOS. O disco estourou, mas fizemos uns 5 shows só. Teve uma briga interna e acabou. Resolvemos montar a banda SOBRINHOS DA RAINHA, com os mesmos músicos, menos o João Ricardo. Tínhamos várias músicas, íamos compondo e ensaiando. Gravamos demo para mostrar para a gravadora, mas não rolou nada. Não sabemos nem onde estão as músicas, mas eram muito legais. Eu e o Wander ouvíamos muito nessa época Gentle Giant, Yes… o estilo era esse, era uma loucura, e não era comercial. Então não tinha como rolar, pois a banda era anticomercial. Sempre quisemos montar uma banda, infelizmente as bandas não davam certo, era difícil. Ele continuou no MEMPHIS quando eu saí, mas sempre nos encontrávamos e conversávamos. Quando o Wander entrou para o SECOS E MOLHADOS, me chamou. Voltamos a tocar juntos em uma banda profissional, mas queríamos a nossa banda.

Secos & Molhados

Secos & Molhados

Antes de montar o Rádio Táxi, em 1981, você tocou com a Rita Lee e o Roberto de Carvalho. “Lança Perfume” e “Saúde”, saindo para excursionar, fazendo shows por todo o Brasil. E essa oportunidade, como surgiu?
Gel Fernandes: A Rita já havia me chamado para tocar com ela duas vezes, em uma delas eu estava no MEMPHIS, com 15 anos e tocava com o Wander… Ela me chamou e não fui. Depois chamou de novo e não fui de novo. Dessa vez, o Lee Marcucci gostava dos ensaios do SOBRINHOS DA RAINHA, e nos acompanhava sempre. Ensaiávamos na casa do Juba, da Blitz, que ficava na Pompéia. A Rita e o Roberto de Carvalho chamaram o Lee para fazer o “Lança Perfume”, e ele precisava montar uma banda para fazer os shows. Chamou eu e o Wander. Eu não o gravei, apenas fiz a turnê. Em seguida ela gravou o “Saúde”, onde eu gravei duas faixas, e fiz a turnê também. Fizemos muitos shows com a Rita e o Roberto.

Formado juntamente com Lee Marcucci, Wander Taffo e Willie de Oliveira, também provenientes da banda de apoio da Rita Lee (Tutti Frutti) e dos Secos e Molhados, o Rádio Táxi teve papel fundamental no rock nacional dos anos 80. De quem foi a ideia da banda, e como foi o processo de formação dela?
Gel Fernandes: Quando estávamos fazendo a turnê “Saúde” com a Rita e o Roberto, de novo eu e o Wander colocamos na cabeça que queríamos montar a nossa banda. Falamos com o Lee, e falamos com o Willie, que fazia parte do vocal com mais duas meninas, que também estavam na turnê. Então, ali estava montada a banda. Começamos ensaiando, mesmo estando com a Rita, e a banda não tinha nome. Inclusive, por não termos nome, quando fizemos o “Garota Dourada”, e entrou para o filme MENINO DO RIO, nos créditos do letreiro aparece “Lee Marcucci – Garota Dourada”, pois não tínhamos ainda o nome da banda.

O início do Radio Taxi

O início do Radio Taxi

Na época, o filme “Menino do Rio” era lançado nos cinemas do país, tendo a música “Garota Dourada” como tema principal, sendo o primeiro sucesso da banda. Como surgiu essa oportunidade de fazer parte da trilha sonora do filme?
Gel Fernandes: A letra era do Nelson Motta, e a direção musical do filme Menino do Rio também, por isso a música entrou para o filme. Começamos a tocar nas rádios, assinamos contrato com a gravadora CBS na época, depois virou Sony. Depois o diretor do filme, Calmon se não me engano, fez outro filme em seguida, que tinha o nome de Garota Dourada. Não tinha a música, apenas pegaram o nome.

Foi uma sequência de hits que levou o Rádio Táxi ao sucesso em todo o país: “Dentro do Coração”, “Com o Rádio Ligado”, “Sanduíche de Coração”, “Coisas de Casal”, “Um Amor de Verão”, e principalmente “Eva”. Como se dava o processo de composição das músicas?
Gel Fernandes: O primeiro disco tinha o “Garota Dourada”, depois foi “Coisas de Casal”, que foi dada pela Rita e pelo Roberto, que soube que estávamos fazendo a banda e nos presentearam com a letra, e se não me engano a “Dentro do Coração (Pôe Devagar)”, não lembro direito. Foram umas três músicas do primeiro disco que estouraram. Foi um sucesso atrás do outro, nem tinha parado de tocar uma música, que já rolava outra e ficavam duas nas rádios. Fizemos muitos shows. Acabamos de gravar esse disco, fazíamos shows e já começamos a fazer o segundo disco. Tinha muita música para fazer esse segundo, que estouraram três também: ” Rádio Ligado”, “Sanduíche de Coração” (que foi tema principal da novela Pão Pão, Beijo Beijo, da Globo) e “Eva”, que foi uma loucura. Pensávamos em gravar o terceiro disco, e não conseguimos porque “Eva” estourou. Atrasamos o disco por causa dessa música.

Como foi se apresentar no Montreux Jazz Festival na Suiça, em 1988?
Gel Fernandes: O RÁDIO TÁXI resolveu dar uma parada para descansarmos em uma época que estávamos fazendo muitos shows. O Lee foi fazer um disco da Rita que chamava “Flerte Fatal”, e gravei duas músicas nele, inclusive uma era “Músico Problema”, do André Christovam. Depois que a gente gravou, fizemos a turnê. Apareceu um show em Montreux, fomos para lá e foi maravilhoso. Nunca tinha tocado fora do país e foi muito legal. Só estava eu e o Lee, o Wander não estava nessa. Ele estava montando a escola IGT, que ficava na República do Líbano. Como demos essa parada no RÁDIO TÁXI, ele foi se ajeitando com a escola. Então fomos para a Suiça e foi legal pra caramba!

Você passou a participar da Banda Taffo, em 91. Porque surgiu a ideia dessa outra banda, já que você e o Wander já estavam com o Rádio Táxi? Uma banda supria a outra?
Gel Fernandes: Começou com a história do Wander montar a escola, e para dar um “empurrão”, ele queria fazer um disco instrumental, onde ele poderia mostrar um monte de coisas que sabia, e que não encaixava no RÁDIO TÁXI. Então ele quis fazer esse disco para dar uma alavancada na sua primeira escola chamada IG&T (Instituto de Guitarra e Tecnologia), que era só de guitarra, e foi depois que passou a ser EM&T, sendo para todos os instrumentos. Então ele mostrou esse disco para o produtor, acho que era o Liminha na época. Os integrantes do RÁDIO TÁXI acharam legal ele fazer esse disco, que não tinha nada a ver com a banda. Como era instrumental, ele poderia participar de ambas. Mas depois mudou de idéia, deixando de ser instrumental e passou a ter vocalista, e esse disco dele foi crescendo e consequentemente ele teve que sair do RÁDIO TÁXI para gravar esse disco. Eu não estava no começo, era com outros integrantes. Continuei no RÁDIO TÁXI, aliás, sou o único que gravou todos os discos, e nunca saí da banda. Os outros sempre deram uma escapada e voltaram, inclusive o Wander voltou depois (em 2005 gravamos um DVD que saiu em 2007, o RÁDIO TÁXI AO VIVO, que foi gravado aqui em São Paulo). Então ele saiu nessa época, fez o disco solo dele chamado WANDER TAFFO, depois mudou para BANDA TAFFO, e só depois que ele me chamou e eu entrei, mas eu não saí do RÁDIO TÁXI, eu fiquei nos dois. Não deixávamos coincidir datas entre as bandas. Sobre uma banda suprir a outra, não é que supria, era um outro tipo de som, eu fique interessado e então fui fazer, mas não fizemos muitos shows com a BANDA TAFFO, quer dizer, não eram tantos como o RÁDIO TÁXI, mas era bem legal de se fazer, porque era algo bem diferente. Eu gostei e entrei.

Banda TAFFO

Banda TAFFO

Porque essas bandas terminaram?
Gel Fernandes: Com o RÁDIO TÁXI, na verdade, aconteceu que ficamos meio que fora da mídia e as pessoas acham que terminou, mas nunca dissemos oficialmente que acabaríamos. Sempre demos um tempo para descansar ou alguma outra coisa, mas terminar, nunca terminou. Ficamos afastados um pouco por problemas, mas agora temos um disco pronto, e ainda nem lançamos, porque na época que ficou pronto teve eleições e resolvemos esperar um pouco, depois de um tempo teve a Copa, então fomos atrasando, pois achamos que é bobagem lançar alguma coisa quando há outra coisa importante em evidência, dispersa muito. Estamos com esse disco pronto, que até hoje não lançamos. É muito legal, tem algumas músicas no nosso site www.bandaradiotaxioficial.com.br, é um DVD, então está pronto para ser lançado, ou não, a gente faz outro já que temos um monte de músicas também. E a BANDA TAFFO terminou nem sei porque, foi parando e coincidiu com uma época em que o RÁDIO TÁXI lançaria esse DVD, que até atrasou (gravamos em 2005 e só lançamos em 2007). Então o Wander voltou para fazer esse DVD e acho que a BANDA TAFFO deu uma parada nessa época, não tenho muita certeza como é que foi. A BANDA TAFFO era muito legal, na época que eu estava, éramos eu, o Wander, Fernando Nova cantando, Marcelo Souss no teclado, e o Carlinhos D´Angelo (filho do Carlos Zara) era o baixista, inclusive ele mora na Itália e está muito bem lá agora. Chegamos a fazer muitos shows legais, minha estréia foi no Aeroanta, e gravamos nesse dia um disco. O áudio do show todo foi gravado, foi um disco ao vivo, que depois mixamos. Também não o lançamos, inclusive eu nem sei onde está esse material, essa gravação pode estar com a Mônica (viúva do Wander), que é o disco inteirinho pronto da BANDA TAFFO.

Improvisando o setlist

Improvisando o setlist

Do início do Rádio Taxi até hoje, muita coisa mudou no mercado musical. Na sua opinião, quais foram as maiores mudanças e como o grupo se adaptou a elas?
Gel Fernandes: Em 81, quando começamos a gravar nosso primeiro disco, praticamente não existia aquele tipo de som. As rádios tocavam outras coisas, e quando estouramos com a primeira música, “Garota Dourada”, os caras da gravadora tiveram um clique e pensaram: “É isso aí!”. Começaram a surgir outras bandas na cola, pois na época só exista o Roupa Nova, e que não era parecido com a gente. Foi meio junto com Lulu Santos, teve o Ricardo Graça Mello, que gravou “De Repente, Califórnia” do Lulu, e todo mundo que estava no filme, “Menino do Rio”. Cada gravadora queria um monte de bandas nesse mesmo estilo, e foi isso que aconteceu: surgiram o RPM, Herva Doce, Metrô, IRA!, Magazine, Blitz… todas que fizeram parte daquela geração dos anos 80. Um monte de bandas tocando o estilo de rock influenciados pelo que vinha de fora, o New Wave. Como entramos com essas músicas numa época que era outro estilo, entendemos que esse estilo pode voltar, sei lá, ou entende-se também que outras coisas vieram e a gente deixou de estar na mídia. É assim mesmo, são épocas, o negócio vai e volta, o mercado mudou muito. Não ficamos desesperados, nunca nos desesperamos em ter que fazer os discos, tanto é que bandas que começaram junto, tem muito mais discos que a gente. Paralamas, RPM, todas tem muitos discos, e temos poucos, são nove (esse que está pronto que eu falei, o RÁDIO TÁXI AO VIVO, seria o nono disco). Lançamos poucos discos desde 81 pela carreira que temos, teria que ter muito mais discos, mas nunca seguimos esse lance de gravar todo ano, entendeu? Então a gente não se desespera com esse negócio de se adaptar, porque vamos indo, todo mundo do RÁDIO TÁXI toca com outros caras, vamos ganhando o pão de cada dia, mas o grupo está aí, e conforme pinta uma oportunidade, a gente vai. É normal esse lance de mudar, veio o pagode, sertanejo, e não sei o que mais. Você tem que ficar na sua, não precisa mudar o estilo porque ele não está mais funcionando. Tem espaço para todos.

O que significou Wander Taffo na sua vida? O que significou Wander Taffo para o rock nacional?
Gel Fernandes: Quando conheci o Wander, eu tinha 15 anos e ele 17, fomos tocar juntos no MEMPHIS. Nossa carreira toda, nossa vida toda, sempre quisemos ter uma banda, e essa amizade significou muito para mim. Só falávamos nisso, conversávamos muito sobre montar banda, fizemos algumas que não deram certo, mas sempre bolávamos alguma coisa, montávamos e chamávamos os caras. E ter conhecido ele… se eu não o tivesse conhecido, teria sido tudo diferente, sei lá. Ele dormia muito na minha casa, eu dormia muito na casa dele. Então, para mim foi muito bom, e espero que ter me conhecido tenha sido para ele também, pois um empurrava o outro, sempre ouvindo discos, um mostrava uma coisa para o outro, e foi uma amizade legal. Para o rock nacional, o guitarrista que mais influenciou foi o Wander, pois ele sempre estava apresentando uma coisa nova, coisas de guitarra que ninguém tinha feito por aqui. Todo mundo queria tirar o que ele tocava. O Wander deixou um legado de guitarristas que, quando você ouve, reconhece: “Pô, isso é do Taffo”.

Com Wander Taffo

Com Wander Taffo

Comente sobre a volta do Rádio Táxi, com nova formação. Como está a agenda de shows?
Gel Fernandes: Como eu havia explicado, o RÁDIO TÁXI nunca parou, nunca foi para lugar nenhum, por isso não está voltando. Simplesmente porque é aquilo que eu falei, quando a gente fica afim de gravar alguma coisa, dentro do que está acontecendo, começamos a colocar esse lance em prática. De certa forma é a volta, mas deixando claro que nunca acabou para voltar. E dessa última vez, temos um disco gravado chamado “3 DÉCADAS”. Resolvemos colocar esse nome porque as bandas que fizeram 30 anos colocam sempre “30 anos”, então com isso tem que ser aquele ano exato, o cara tem um ano para comemorar os 30 anos, e colocando “3 DÉCADAS” teremos 10 anos para comemorar até mudar a década. Então, “Rádio Taxi Ao Vivo – 3 Décadas”, é uma comemoração “eterna” durante 10 anos, e com esse nome poderemos demorar mais, até mudar a década. Essa nova formação veio porque o cantor saiu, e ficamos mais um tempo só fazendo shows, cumprindo a agenda do que já tinha marcado, e com isso fui montando outras coisas. Essa formação tem o guitarrista Gabriel Navarro, e foi difícil, pois perder o Wander Taffo, considerado um dos melhores – senão o melhor, e achar outro guitarrista… Você pega no Facebook, tem um monte de cara com guitarra na mão, mas você tem que ver se o cara realmente toca, então fica difícil escolher, mas conseguimos, e quando o Gabriel entrou para gravar esse último disco, ele tinha só 23 anos. Flávio Fernandes nos teclados, também muito bom, estudou na USP, um cara muito musical. Eu e o Lee, que já estamos aí faz tempo, e o vocalista Fábio Nestares, aliás, eu tinha tocado com o tio dele, Carlinhos Marques, na banda SUNDAY (isso foi antes de conhecer o Wander, na época eu tinha uns 14 anos). No começo do RÁDIO TÁXI, o Carlinhos tocava teclado com a gente, ele e meu irmão, tínhamos dois tecladistas (éramos em quatro, mais os dois tecladistas contratados), e eu lembro uma vez que ele me ligou e falou: “Se souber de alguma coisa, tem meu sobrinho que canta muito”, e eu disse: “Pô legal, se eu souber de alguma coisa eu dou um toque”. O SUNDAY existe até hoje. Então ficou na formação nova Fábio Nestares, eu, Lee, Gabriel Navarro e Flávio Fernandes. Está muito legal, vocês podem conferir, até sair o disco tem alguma coisa no site.

A atual formação do Rádio Táxi

A atual formação do Rádio Táxi

Você fez um belíssimo trabalho social com crianças carentes no projeto MENINOS DO MORUMBI. Fale mais sobre esse trabalho.
Gel Fernandes: Esse é um projeto social que fizemos chamado Meninos do Morumbi. Durante mais de três anos eu me dediquei, não totalmente, porque não dava para parar com os shows. Eu não faço mais parte do projeto porque não tenho tempo para ir, mas eles estão firmes. Ensinávamos música para os meninos, a maioria da comunidade do Morumbi, Caxingui, daquele pedaço e a maioria dos meninos eram da favela de Paraisópolis. Tinha dentista, depois o Pão de Açúcar começou a patrocinar para dar uma força mesmo. É um lance muito legal, você se sente bem em poder fazer alguma coisa para alguém. Eu acho que se não fosse esse projeto, muita gente teria tomado outro rumo na vida. Mas eles estão firmes ainda, e eu fui durante mais de três anos quase que todos os dias. Era bem cansativo, porque nos finais de semana eu precisava viajar para tocar, além de ter um monte de coisas para fazer, mas foi gratificante.

E para terminar, você leciona bateria e percussão. Como ser um aluno de Gel Fernandes?
Gel Fernandes: Antes do RÁDIO TÁXI eu dava muito mais aulas do que agora, me dedicava mais a esse lance da didática. Depois foi o lance do tempo, fui diminuindo até que tive que parar, pois no começo da banda era impossível, pois durante os anos 80 não teve como. Então é meio difícil de explicar… Quando a escola do Wander foi para a Conceição, que é o mesmo lugar até hoje, ele me encheu tanto, que eu acabei falando “Tá bom, vai!”. Ele queria que eu tomasse conta do IP&T, que era de bateria, mas eu disse “Não, eu não posso, não vai dar tempo!”, mas aí ele disse, “Então, dá aula!”, e eu aceitei porque era menos trabalho. Para tomar conta eu teria que fazer o método, tinha que escrever o lance todo para os professores seguirem, mas não daria tempo. Eu concordei em dar só um dia de aula, sei lá, parece que era de quarta-feira. Eu comecei com um horário só, depois ele falou “Pintou mais um aí!”, porque eram quatro alunos por horário. A escola era bem montada, eram várias baterias eletrônicas, e eu consegui dar aula para os quatro alunos juntos. Então comecei com uma aula, e ele falou “Tem mais uma turma, pega aí!” mas eu falei “Tem que ser no mesmo dia!”, peguei mais uma, e acabou que eu fiquei dando aulas o dia inteiro. Fiquei um ano e meio, mas não deu mais. Depois começou a rolar muitas coisas e tive que parar. Estou dando aulas particulares, mas que eu escolho os dias e horários, entendeu? Não posso ter muitos alunos, então é bem difícil, mas quem estiver afim, escreve para mim por inbox no Facebook, ou na minha página. Tem que combinar, mas não tem como ter isso de ser “amanhã”, “toda quarta-feira”, porque não tenho horários. Eu tenho que ligar para o cara e falar “você pode amanhã?”, então é meio difícil de explicar. Eu tenho poucos alunos, mas está dando certo porque eles entraram sabendo que não seria um dia fixo e tal. É isso aí!

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Você pode acompanhar mais sobre Gel Fernandes nos seguintes links:

www.bandaradiotaxioficial.com.br
https://www.facebook.com/gel.fernandes.3
https://www.facebook.com/GelFernandes.pagina/
https://www.facebook.com/bandaradiotaxi

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