Entrevistas

Guerrilha a banda de atitude no cenário musical brasileiro.

Banda Guerrilha

Entrevista com a banda Guerrilha que fala sobre o lançamento do álbum sangue, lágrima e suor, confira.

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O CD “Sangue, Lágrima e Suor” vem carregado de fortes discursos políticos e de uma sonoridade agressiva.

Tocando no circuito underground da “paulicéia desvairada” há mais de uma década, o quarteto formado por Kbça nos vocais, Jimmi na guitarra, Punk no baixo e Nicolas na batera, já marcou presença em diversos festivais e casas de show como Hangar 110, Manifesto Bar, Tribe House, Alcatraz, Cervejazul, Feeling Music Bar, Sattva, e muitas outras da deslocada noite paulistana, grande São Paulo e interior. Tendo a oportunidade de se apresentar ao lado de bandas de renome como Humana (Chile), Dance Of Days, Hardneja Sertacore, Skarrapatos-ko, Cuieo Limão, Inocentes, entre outros.

Ainda segundo o vocalista, as letras do grupo são influenciadas pela lírica dos anos 1980, enquanto a sonoridade faz referência a bandas de rock dos anos 1990. “Nossas grandes referências musicais são bandas como Rage Against The Machine, Planet Hemp, Infectious Grooves, além de várias outras de outros estilos, é claro. O que caracteriza nosso som é um arranjo pesado, sujo mesclado com levadas mais ‘clean’ e ‘funkeadas’”, aponta Kbça.

A Guerrilha recentemente (31 de Março) lançou o álbum “SANGUE, LÁGRIMA E SUOR”. O álbum tem 12 faixas e foi produzido por Daniel de Sá, do Estúdio GR – zona norte de São Paulo. O produtor destaca o lado visceral da banda. “Foram quase dois anos de gravação, pensamos em todos os detalhes, buscando sempre uma sonoridade sincera, mais próxima do real. Fiquei muito satisfeito com o resultado do trabalho, porque conseguimos achar o equilíbrio perfeito entre o peso e o groove que a banda apresenta em seus shows”, destaca o produtor musical. O disco, que pode ser ouvido em todas as plataformas de streaming.

Guerrilha - Sangue, Lagrima e Suor

Guerrilha | Sangue, Lagrima e Suor

 

CONFIRA A ENTREVISTA EXCLUSIVA FEITA COM A BANDA GUERRILHA

Line: Como surgiu a ideia de formar uma banda de rock em uma cidade que sabemos que existe um número muito grande de bandas do mesmo segmento? Qual o diferencial pensado pela banda?

Nicolas – Nossa banda além de ter um som marcante, é cultura, uma música para refletir e pensar.

Punk – A ideia de montar uma banda era pra por em prática nossas ideias de música, seguimos durante um bom tempo, eu e o kbca, com as violas construindo  arranjos e, lógico, éramos novos, e a onda de bandas gringas fomentaram ainda mais a ideia de formar a nossa própria banda, acredito que nosso diferencial se mostrou com o passar do tempo, porque cá estamos, firmes e fortes, vimos centenas de bandas do “seguimento” virarem pó por ‘N’ motivos, não que tivemos algum tipo de ‘boiada’ nem nada, muito pelo contrário, passamos até hoje situações que batem de frente com nossa vontade de tocar, mas ainda estamos aqui mais de dez anos de Guerrilha.

Line: Quais são suas principais influências atualmente? Vocês têm planos de experimentar novas sonoridades no futuro?

Punk – Gosto de tanta coisa, não sei dizer qual é a minha influência atual, ando escutando de tudo, até coisas que dizia não gostar e até que estou curtindo,  em particular, acredito que entrei em uma fase de composição puxado para o HC com um refrão  paulada e melódico como a 4a faixa do nosso álbum ‘Fora do Eixo’, curto a ideia da galera vir junto no refrão, quanto experimentar coisas novas em nossas músicas? Quem sabe algo misturado com maracatu o que não seria novidade porque Chico Science e Nação fizeram isso majestosamente, mas seria interessante fazer algo do tipo na Guerrilha, mas por hora estamos focados no nosso álbum de estréia.

Nicolas  As minhas influências são: Legião Urbana, Dead Fish, Foo Fighters, Blink 182, e por aí vai…

Jimmi – Escuto muita música instrumental, então isso levanta um leque gigante de possibilidades. Da minha parte sempre estarei disposto a experimentar novas sonoridades, já que venho de outras vertentes músicas.

Kbça – A banda traz as influências pessoais da cada integrante, algumas dessas influências se cruzam e ficam mais evidentes em certas canções. Da minha parte eu ouço muita coisa variada até mesmo de fora do rock. Gosto muito de MPB, bossa e sambas antigos, gosto de reggae, rap e blues, ouço músicas que nem sei se tem alguma ‘definição’ como Mano Chao, por exemplo, mas minha morada é o rock. Gosto de bandas de todas as épocas, me apego mais à bandas do que à estilos, mas posso dizer que os anos 80 e 90 são os que estão mais enraizados na minha formação, tanto nacional como estrangeiro. Quanto a experimentar, estamos abertos ao que vier na nossa cabeça, não nos rotulamos nem criamos canções pensando nos elementos prontos de cada estilo, nós vamos nos deixando levar pelo que a música vai pedindo, então acho que tudo pode ser possível desde que soe bem aos ouvidos.

Line: Por quais processos e mudanças pessoais vocês tiveram que passar, até conseguirem chegar ao ponto em que estão agora como músicos?

Nicolas – Comecei como guitarrista na banda da escola em que eu estudava, e sentia muita falta de bateristas. Literalmente não existia bateristas pra se formar uma banda entre meus conhecidos. Através do jogo ‘Guitar Hero’ peguei algumas noções de percussão e acabei aprendendo e estudando sozinho. A bateria me conquistou com o tempo.

Jimmi – Da minha parte é bem particular. Sou nascido e criado no nordeste, mas moro em São Paulo já 5 anos. Porém a música tem um período maior na minha vida, entre milhares de experiências músicas. A minha vinda para são Paulo foi uma delas.

Kbça – Eu comecei a me interessar mais profundamente por música aos 15 anos, depois senti a necessidade de me expressar através dela, foi quando pedi um violão de presente, comecei a estudar sozinho com revistinhas de música, depois cheguei a entrar na ULM (Universidade Livre de Música) e cursei apenas 6 meses (o suficiente para eu ter as noções básicas pra tocar punk rock e Nirvana), hoje me arrependo de ter desistido porque lá só ficava tocando bossa-nova. No início era só eu e o Punk que tocávamos no violão um fazendo o baixo o outro a guitarra e assim fomos compondo algumas coisas, isso bem na adolescência, depois podemos conhecer mais pessoas e finalmente montar uma banda. O punk aprendeu muita coisa também com o irmão dele Anselmo que é o baixista do Inocentes e músico de carreira.

Line: Quais dos seus objetivos como banda vocês acham que já atingiram, e o que ainda esperam conseguir no futuro?

Jimmi – Faço parte de uma nova formação na banda. Não estou desde o começo da história. Mas já o que tenho acompanhado até então é muito positivo e muito satisfatório artisticamente, no meu ponto de vista.

Kbça – O álbum tem nos aberto muitos espaços e tem recebido muitos elogios da crítica especializada e, o mais importante, o público tem gostado muito das músicas. Os shows tem tido um retorno muito positivo também, mas ainda não estão lotados, as pessoas hoje em dia consomem muito pela internet e abrem mão de experienciar a música ao vivo, isso é muito ruim pras bandas que ainda estão buscando seu espaço. Mesmo tocando em muitas rádios do brasil e saído muitas publicações sobre nós, esperamos que isso seja apenas o início, temos muito o que conquistar e apostamos nisso!

Line: O CD “Sangue, Lágrima e Suor” vem carregado de fortes discursos políticos e de uma sonoridade agressiva.Pra vocês, escolham uma música que a banda encontrou mais dificuldade de expor a sua ideia.

Kbça – Muitas dessas musicas desse álbum são canções compostas há alguns anos durante a nossa trajetória e fomos aprimorando elas cada vez mais até o ponto em que achamos ideal e é como foram gravadas no álbum. As composições mais recentes vieram de forma muito natural também. Talvez cada um tenha tido um pouco mais de dificuldade na gravação de uma ou de outra música. Eu tive que pensar de forma totalmente nova como faria para gravar a faixa 7 ’13-JUN13’ que na verdade é parte de um poema que eu havia escrito e não tinha pensado nos seus versos de forma musical, então a preocupação foi recitar uma poesia mas ao mesmo tempo musicá-la sem deixando a linha de voz com uma interpretação teatral para que não destoasse a emoção da música da recitação do poema. Pra mim foi esse o grande desafio.

Line: Como vocês acham que as mídias olham para a cena independente? Acham que ela dá a força que é necessária ou hoje a cena consegue se sustentar por si só?

Jimmi – o apoio das grandes mídias para com a cena independentemente até então, no meu ponto de vista, considero ainda precário. O cenário independente tem mais força através de mídia coletiva, onde todos (músicos, fãs ou até quem tá lá pra curtir) ajuda na divulgação dos trabalhos, shows e tudo mais, seja por boca a boca, compartilhamento em redes sociais e tudo mais.

Kbça – a mídia não olha pra cena independente. Mesmo que exista hoje esses programas de calouros e de bandas, isso não promove me nada a cena independente. Desde toda essa mudança na forma de consumo da música, com o fim da venda dos CDs e do grande poderio das gravadoras ainda não se achou uma fórmula de se promover bem a indústria com novidades. No máximo as bandas acabam sendo absorvidas pelas gravadoras quando já estão prontas e conseguiram se promover sozinhas. A cena não consegue se sustentar por si só porque falta ainda um mecanismo de confluência pra que ela se torne forte o suficiente. Faltam canais que reúnam num ponto de encontro todas as novidades, por enquanto, está tudo pulverizado e espalhado, mas o ponto positivo é que está de fato aumentando muito a demanda, as pessoas estão querendo coisas novas e o rock está forte como nunca os últimos 10 anos, esses programas de TV que se propõem em apresentar as novidades, é porque já perceberam que o público está pedindo por isso, mas não acho que a fórmula desses programas seja a melhor para isso.

 

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