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Jane Monheit: emoção e homenagens em noite pela cura do câncer

Veja como foi o show da cantora Jane Monheit na Sala São Paulo

foto: Ali Karakas

Veja como foi o show da cantora Jane Monheit na Sala São Paulo

A Sala São Paulo, localizada no bairro da Luz (São Paulo/SP), recebeu no último dia 26 de setembro mais um show da Série TUCCA de Concertos Internacionais. Trata-se de espetáculos promovidos pela TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), fundada em 1998 e que desde 2000 tem projetos musicais voltados a sustentabilidade e continuidade da associação. Ao longo de 2017, seis concertos noturnos apresentam músicos de renome internacional, como é o caso de JANE MONHEIT.

Álbum “The Songbook Sessions: Ella Fitzgerald” (Foto: divulgação)

A passagem de Jane Monheit pelo Brasil marca a promoção de seu álbum The Songbook Sessions: Ella Fitzgerald”, lançado em homenagem à cantora americana em 2016. Curioso notar que Ella (também conhecida como a “Primeira Dama da Canção”) é aclamada pela crítica musical como uma artista inovadora justamente em razão de seus songbooks.

O Great American Songbook é uma lista com as composições mais importantes e influentes da música popular americana e os chamados “jazz standards” do começo do século XX. Essa lista inclui nomes como  Jerome Kern, Irving Berlin, George Gershwin, Richard Rodgers, Cole Porter, Hoagy Carmichael e Harold Arlen. Entre 1956 e 1964, Ella lançou oito songbooks que até hoje são considerados um marco na gravação da música popular americana do século XX.

A cantora Jane Monheit (Foto por Carol Marinho Martin)

Essa mesma lógica foi adotada por Jane na escolha do repertório tanto do álbum como do setlist dos shows que vem fazendo ao longo dos últimos meses. Acompanhada do pianista Michael Kanan, do contrabaixista Neal Miner e do baterista Jamey Tate, Jane aposta em canções clássicas e arquétipos do jazz para impressionar a platéia e deixar claro seu amor e sua dedicação à música.

Ainda que seus trejeitos possam parecer exagerados em algumas das canções, Jane tem uma voz que emociona e impressiona pela segurança e qualidade. O apuro técnico dos músicos que a acompanham também contribuem para que o clima intimista típico dos espetáculos de jazz seja recriado num ambiente tão vasto e frio como a Sala São Paulo.

A cantora e o contrabaixista Neal Miner (Foto por Carol Marinho Martin)

Ela abre o show com “Where or When”, seguido de “All Too Soon” e “It’s All Right With Me”. Sempre falante, Jane interage com a plateia o tempo todo. Ela faz questão de mencionar o belo trabalho do trompetista e multi-instrumentista americano Nicholas Payton, responsável pelos arranjos e produção do álbum. Ela segue com “Let’s Take a Walk Around the Block”, “Stars Fell on Alabama” e “Something’s Gotta Give”, mesclando a melancolia marcante do jazz com o molejo de quadris afim de esquentar a morna plateia.

Ela ressalta o valor da bossa nova ao fazer sua primeira homenagem ao Brasil com o já considerado jazz standart “Corcovado”, de Antonio Carlos Jobim, seguido de “Love for Sale”. Nesse momento do show, Jane destaca o motivo da apresentação: arrecadar fundos para a manutenção dos projetos da TUCCA. Ela conta que visitou um dos hospitais em que a associação está presente e dedica “Over the Rainbow” às crianças e adolescentes com câncer.

A opulência da Sala São Paulo (Foto por Carol Marinho Martin)

Na volta do intervalo, “Old Devil Moon”, “When a Woman Loves a Man” e “I Was Doing All Right” mostram Jane mais a vontade com a opulência da Sala São Paulo e os músicos mais dispostos a improvisar seus instrumentos com vigor. Em “Cheek To Cheek”, ela relembra a parceria bem sucedida entre Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.

A cantora observa os músicos (Foto por Carol Marinho Martin)

Declaradamente apaixonada pelas composições do músico brasileiro Ivan Lins, Jane se entusiasma ao relembrar antigos encontros com o cantor. Ela pede a compreensão da plateia com seu português arranhado em “Rio de Maio”, música do cantor que ela gravou em 2007. Antes de cantar “Love Dance”, outra parceria com Ivan Lins, ela ainda faz “Too Darn Hot” e “I Got You Under My Skin”. Jane encerra a noite com “From This Moment On”. Sua surpresa com os aplausos da plateia a fazem voltar com um bis improvisado, com uma música que acaba de gravar para seu novo álbum.

Sem dúvida foi uma noite em que os clássicos do jazz provaram seu potencial em persistir na memória e no tempo de antigas e novas audiências, graças a novos arranjos, novas vozes e novas parcerias entre músicos apaixonados pelo ritmo e pela história do movimento, como Jane Monheit.

(Foto por Carol Marinho Martin)

Galeria de fotos: 

Foto: Ali Karakas

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