Entrevistas

Kuky Sanchez: O Inventivo baixista de vários estilos musicais

Baixista Kuky Sanchez

Baixista do Pedra Letícia, Dizzy, MDB e Os Figurantes, Kuky Sanchez concedeu uma entrevista exclusiva ao Line Rockers.

Baixista do Pedra Letícia, Dizzy, MDB e Os Figurantes, Kuky Sanchez concedeu uma entrevista exclusiva ao Line Rockers.

Músico autodidata, o baixista KUKY SANCHEZ iniciou sua carreira aos 13 anos, mas foi aos 17 que passou a tocar profissionalmente com as bandas Korpus, Sofisma, The Pills, Tempestt, Shining Star, Astra, Sunsarah, etc.

Ainda acompanhou Jeff Scott Soto, Patricia Coelho, As Marcianas, Vitor & Leo, entre outros, sendo que gravou com alguns deles.

Também foi roadie, técnico de som e produtor musical na Promoart Shows (Gugu Liberato) onde produziu com Joe Marcos (Dominó), Banana Split, Marcelo Augusto, etc.

No teatro, atuou por 16 anos na Oficina dos Menestréis (Oswaldo Montenegro). Tocou e atuou em musicais como Noturno, Lendas & Tribos, O Vale Encantado, Raul o Fora da Lei, entre outros. No Cinema participou na trilha do filme “Depois Daquele Baile”.

Hoje, KUKY é baixista das bandas Pedra Letícia, MDB-Música Divertida Brasileira, Dizzy, Os Figurantes além de tocar com o Pedra Letícia no Programa do Porchat.

Kuky Sanchez concedeu uma exclusiva entrevista ao Line Rockers. Confira:

Quando se descobriu músico e porque escolheu o contra-baixo?
Kuky Sanchez: Desde muito pequeno tive interesse por música, não venho de uma família de músicos mas de pessoas que escutavam música o tempo todo e acabou sendo natural o interesse. Fui uma criança que pedia disco LP de presente. O contra-baixo veio quando escutei Kiss pela primeira vez aos 12 anos, escutei o Gene tocar e pensei “quero ser igual a esse cara”, hehehehe…

Kuky Sanchez

Kuky Sanchez

Quais os baixistas que te influenciaram nessa escolha?
Kuky Sanchez: Além do Gene Simmons do Kiss, Paul McCartney (Beatles), Ross Valory (Journey), Jonh Deacon (Queen), Steve Harris (Iron Maiden), Suzy Quatro, Michael Anthony (VH), Glenn Hughes (Deep Purple) e os baixistas Dee Murray, Kenny Passarelli (Elton John) e o brasileiro Lee Marcucci.

Fale um pouco sobre sua trajetória musical até o momento.
Kuky Sanchez: Comecei a tocar em 1984 em bandas de Heavy Metal. De 17 para 18 anos, recebi um convite para tocar na noite em um dos salões de Forró mais famosos de São Paulo, o Asa Branca. Foi quando tirei minha primeira carteira da OMB em junho de 1988, e com uma camiseta do Slayer tocava a noite inteira forró, Frevo, brega, samba e o estilo mais famoso da época, a lambada. Tocava em outras casas também do estilo como bares, os inferninhos do centro e até puteiros. Trabalhava todos os dias da semana, era novo, cheio de gás e com muitos sonhos. Aprendi muito, comecei a fazer bailes e acompanhar artistas nessa época. Bons tempos!

época em que tocou e gravou com Jeff Scott Sotto

época em que tocou com Jeff Scott Sotto

Você acompanha/acompanhou artistas de vários gêneros musicais, desde o rock até o sertanejo. Qual o seu estilo preferido, e gostaria de ter de viver só dele ou gosta de participar de todos?
Kuky Sanchez: Eu gosto de tocar, não importa o estilo. Se for para fazer um som massa pouco me importa, meu barato é o palco.

Tocando com Marcelo Augusto

Tocando com Marcelo Augusto

Em especial, há alguma banda nacional que você gostaria de fazer parte? Se sim, por qual razão?
Kuky Sanchez: Queria ter tocado no Casa das Máquinas, mas para isso teria que ter nascido uns 10 anos antes. hehehe…

Pedra Letícia é uma banda com letras divertidas e inteligentes. Conte-nos a história de criação dela e quais as suas principais características?
Kuky Sanchez: Eu estou na banda há 7 anos e com a vivência hoje em dia é tudo muito fácil esse processo. Normalmente eu, o Xico(guitarra) e o Pedro(bateria) juntamos as ideias, montamos um esqueleto de uma música e mandamos para o Cambota(vocalista) colocar a letra e ás vezes acontece o contrário, o Cambota manda a letra e um esboço no violão e nós montamos a música. Isso sempre acontece muito facilmente, o convívio acabou ajudando para isso. Além da amizade, a sintonia musical é muito grande.

As letras saem todas da cabecinha maravilhosa do nosso cantor Fabiano Cambota, que também é humorista e apresentador de TV. Ele é extremamente criativo e tem uma visão divertida das coisas que ele vê pela vida, além de ser o melhor frontman que eu já tive o prazer de dividir o palco.

Pedra Letícia prestando homenagem a Carlos Villagran, o Kiko do Chaves

Pedra Letícia prestando homenagem a Carlos Villagran, o Kiko do Chaves

Atualmente, Pedra Letícia é a banda de apoio do Programa do Porchat, na Record. Como surgiu esse convite?
Kuky Sanchez: O Fábio é muito amigo do Cambota e curtia a banda faz tempo. Já foi a shows e até ajudou a banda a participar do programa “Esquenta” quando ele ainda estava na Globo. O convite acabou vindo até por isso, somos muito gratos pela oportunidade de fazer parte desse projeto tão massa.

Pedra Letícia no Programa do Porchat

Pedra Letícia no Programa do Porchat

Dizzy é a outra banda que você participa. Fale sobre ela, e como surgiu e como funciona o processo de composição dela?
Kuky Sanchez: Dizzy é uma banda de Sorocaba com músicos talentosíssimos e conhecidos da noite Sorocabana. Juntamos os amigos para fazer um som, com músicas que gostamos mas não tocamos normalmente em bares. O bom é que isso acabou empolgando e hoje estamos criando e compondo sons autorais. Ainda estamos começando os trabalhos de criação. Em breve teremos novidades.

Além de músico, você foi roadie, técnico de som e produtor musical na Promoart Shows, do Gugu Liberato, produzindo com o Joe Marcos do Dominó, Banana Split, Marcelo Augusto, entre outros. Como foi essa época, e acha que ela foi essencial para a sua atual fase?
Kuky Sanchez: Nunca tive apoio em casa para seguir na carreira de músico, então tive que me jogar na profissão muito cedo e correr atrás para conseguir realizar meus sonhos. Por cara de pau mesmo, acabava aceitando qualquer trabalho relacionado a música, por isso sempre toquei qualquer estilo e acabei fazendo outros trabalhos relacionados a ela. O convite para trabalhar na Promoart veio pelo Joe Marcos, e sou extremamente grato pela oportunidade e aprendizado nos anos em que trabalhei lá, pois abriram muitas portas e oportunidades depois.

com Rodrigo Pavanello na época em que tocava com o Dominó

com Rodrigo Pavanello na época em que tocava com o Dominó

Conte a sua história com o teatro e musicais. Há projetos em andamento?
Kuky Sanchez: Tive a honra de trabalhar por 16 anos na Oficina dos Menestréis. O teatro veio para me completar como artista e nossa, aprendi muito, mas muito lá. É uma experiência que todo músico deveria ter. O olhar artístico do teatro acrescenta muito e tenho recordações lindas dessa época. Total gratidão aos meus diretores Deto Montenegro, Candé Brandão e Oswaldo Montenegro pelo aprendizado. Quem sabe um dia volto a fazer teatro. Toquei e atuei em musicais como Noturno, Lendas & Tribos, O Vale Encantado, Raul o Fora da Lei com o Roberto Bomtempo, que aliás, foi uma experiência fantástica e foi uma longa temporada. O Bomtempo é uma pessoa sensacional, sou fã dele como ator e como pessoa, é um cara legal, muito massa. A peça é bem bacana, a Oficina dos Menestréis faz a montagem também com o Rica Santana fazendo o papel do Raul, que também é um ator fantástico e sou bem fã.

com Roberto Bomtempo no musical Raul Fora da Lei

com Roberto Bomtempo no musical Raul Fora da Lei

Como você define o seu atual momento?
Kuky Sanchez: Feliz, realizado e agradecido. Toco em uma banda que sempre sonhei tocar, o que eu sonhava viver de música quando garoto estou vivendo hoje no Pedra Letícia, e ainda tenho a sorte de tocar ao lado de amigos tão especiais e queridos. Isso acaba influenciando tudo na vida, até em outros trabalhos, como no Dizzy e também em outra banda de Sorocaba que estou tocando, Os Figurantes. Também toco junto com meus maninhos do Pedra Letícia e o humorista e apresentador Rafael Cortez em um projeto muito massa que se chama MDB- Música Divertida Brasileira, e nela resgatamos várias músicas com letras divertidas desde os anos 40 até os 80 e colocamos outra roupagem, outro arranjo e estilo. Desse projeto já temos um CD e estamos em tour pelo Brasil. É muito bom tocar só com pessoas queridas, isso reflete no palco e nas músicas. Sou grato a Deus por tudo o que vivo hoje.

MDB- Música Divertida Brasileira

MDB- Música Divertida Brasileira

Quais os músicos que você chamaria para uma jam?
Kuky Sanchez: Essa é difícil… tenho tantos amigos e tantos que eu admiro e adoro tocar junto. Mas vai, assim de pronto, tirando os que já tocam comigo atualmente, chamaria o Carlinhos Anhaia e o Lineu Andrade (guitarra), Mané Santanna (teclado), Peo Fiorin (bateria), Caio Ignácio (percussão) e a Pri Borges para cantar, acho que sairia coisa boa dessa trupe, hehehehe… putz, posso montar mais umas 10 bandas? hehehehehe…

Na sua opinião, como acha que será o futuro da música mundial, e sente que ela está tendo progresso em alguma área?
Kuky Sanchez: Ainda estamos em uma fase de transição do meio musical e acho que ainda vai levar um tempo para as coisas se ajeitarem e tomarem seu rumo natural. Nós como músicos, temos que fazer o nosso independente disso. Se o mercado está bom ou ruim pouco importa, faça sua música.

Você acha que, de certa forma, a internet contribuiu para o declínio da música, ou acha que ocorreu o contrário? Porque?
Kuky Sanchez: Não, acho que ajudou de uma certa forma. A própria Pedra Letícia é uma banda que teve oportunidade graças a internet, diferentemente das rádios e TV onde você escuta e vê somente o que eles tocam. Na internet as pessoas escutam o que querem, é democrático e real, e você ainda tem o feedback direto do público, tendo a chance de interagir diretamente com eles.

Ainda estamos nos adaptando a essa nova realidade musical, creio que em breve as coisas aconteçam mais naturalmente.

Agora, se as pessoas escutam música ruim, na minha opinião, é falta de cultura mesmo e não é culpa da internet. No mundo virtual tem de tudo e lá a pessoa escuta o que quer. Eu só escuto música boa.

Quais são seus projetos para 2017?
Kuky Sanchez: Esse ano estamos preparando CD novo do Pedra Letícia, farei a tour no Brasil do The Platters no primeiro semestre, e músicas novas da Dizzy e Os Figurantes. Vou ter muitos shows do MDB pelo Brasil, e o programa do Porchat de segunda a quinta as 00:15 na TV Record. Por enquanto é isso.

E para finalizar, qual o conselho que fica para quem quer seguir na carreira musical?
Kuky Sanchez: Se joga! Saia do quarto, do Facebook e do Youtube e pega seu instrumento. Caia para a noite, para a estrada, toque de segunda a segunda, toque qualquer estilo, com muitos músicos diferentes, aprenda, escute muito e fale menos, seja humilde. Se valorize e não atropele ninguém para ter o seu espaço, conquiste o seu com amor, dedicação e sucesso é viver de música e pagar as contas no final do mês fazendo o que ama, e o resto: Foda-se!!!

Foto Luís França

Foto Luís França

Endorsers:  SX Bass, Habro Music, Pedais e amplificadores T.Miranda, Pedais Moore, Cordas Giannini, Camiseta Santo Rock, Levis e Ibis Hotel.

Facebook: @kukysanchez
Instagran: @kuky_sanchez
Twitter: @kukysanchez
e-mail: kuky@pedraleticia.com.br
www.pedraleticia.com.br

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