Entrevistas

Mário Pastore: o tenor do heavy metal nacional

Entrevista com Mário Pastore ao Line Rockers

Considerado um dos melhores vocalistas de Heavy Metal no Brasil, Mário Pastore concede uma entrevista exclusiva ao Line Rockers.

Considerado um dos melhores vocalistas do gênero no Brasil, Pastore concede uma entrevista exclusiva ao Line Rockers

Mário Pastore iniciou sua carreira em 1986, cantando covers de rock e heavy metal. Ministra aulas de técnicas vocais desde 1997, quando começou a desenvolver sua metodologia de ensino. Com vários trabalhos gravados, atualmente é vocalista do HEAVIEST, e do seu novo projeto POWERFULL – WARRIOR SOUL. Também foi tenor na banda de música italiana BONANNI ITALIAN SHOW, e participa do CORAL E ORQUESTRA SINFONIA NOBRE, da BEST SELLER e da DOLCE CANTABILLE, fazendo shows por todo o Brasil.

Cantor e compositor, é uma grande referência para o Heavy Metal brasileiro.

Mario Pastore

Mario Pastore

Entrevista Mário Pastore

Como surgiu o seu interesse pela música, e como foi o seu início em relação ao Metal?
Mário Pastore: O meu interesse pela música surgiu aos 5 anos. Meu pai e minha mãe me mostravam Elvis, Beatles, entre outros, e eu comecei a me visualizar no palco cantando com esses discos. Peguei um microfone de papelão, e foram as primeiras coisas que já fiz cantando: uma criança de 5 anos cantando Elvis Presley e algumas outras coisas. O início no Metal foi por volta dos 14 anos, quando escutei o “Killers”, do Iron Maiden. Isso me arrebatou, e aí comecei a ouvir heavy metal: Iron, Judas, Dio, Black Sabbath, Purple.

Quais os cantores que te influenciaram? Quais os álbuns que te marcaram na época?
Mário Pastore: Os cantores que me influenciaram na época foram: Dio, no Sabbath, alguma coisa do Ozzy, Paul Di’Anno, Ian Gillan, David Coverdale, Glenn Hughes, entre outros. Comecei mais ou menos neles, depois teve Geoff Tate e Bruce Dickinson com certeza, quando entrou no Iron. Os álbuns que me marcaram na época foram “Piece Of Mind” do Iron Maiden, foi aí que eu “reconheci” o Bruce, pois o tinha conhecido no “The Number of the Beast” e não gostei muito, mas quando ouvi o “Piece of Mind”, pirei no vocal dele. O Judas Priest também, na época eu comprei o vinil do “Screaming for Vengeance”, Black Sabbath com o “Mob Rules” também eu não tirava da minha pickup, o “Allied Forces” do Triumph também é maravilhoso, e esses foram discos que me formaram. Comecei a comprá-los, e eles foram sintetizando minha formação como vocalista. Led Zeppelin com o disco do velho na capa “Led Zeppelin lV”, Queensryche com o “The Warning” e Manowar com o “Battle Hymns.

Qual foi a banda que o fez debutar no Metal Nacional? Como foi a experiência?
Mário Pastore: A banda que me fez debutar de verdade foi o ACID STORM, no ano de 1992, com registro gravado. Comecei a gravar o disco no final de 91. A experiência foi boa e ruim (risos). Era uma banda muito boa, tecnicamente falando, mas o disco não saiu como a gente queria porque o selo Hellion, na época, não tinha condições de bancar muitas horas de estúdio, e o que foi feito, foi feito com os recursos que tínhamos. Até foi relançado agora em digipack, em cd, porque na época era vinil. Tive somente três horas para gravar a voz, então até hoje quando escuto o disco, sinto que faltou coisa, faltou recurso e tal. O relacionamento pessoal também não foi legal, acabei saindo da banda com o baixista. Agora voltamos a nos falar, com o relançamento do disco.

Você também foi integrante das bandas Social Fears, Opera´s Noise, Tailgunners, Sacred Sinner, do projeto Hamlet e Delpht. Como foi participar de algumas delas, e qual foi a que te deu maior destaque na cena Heavy Metal?
Mário Pastore: Sim, cantei mais ou menos em 1200 bandas em trinta e poucos anos de carreira (risos). Se eu falar de cada uma aqui, a gente vai ficar bastante tempo (risos). No geral, SOCIAL FEARS foi uma banda que era legal pra caramba, mas não gravamos nada, e também teve muitos conflitos lá, pois alguns integrantes tinham o ego muito inflado e foi difícil trabalhar assim. No OPERA’S NOISE gravamos só uma demo e era uma molecada nova, com isso era complicado fazer a galera pensar com profissionalismo. Mas foi bem legal, gosto dos caras até hoje e tenho um bom relacionamento com eles, nos vimos outro dia. HAMLET foi o que me alavancou na época, em 2000, fomos a capa da revista Roadie Crew, meu nome foi falado em revistas, com participação especial do André Matos e do Fábio Laguna. Isso foi o que realmente começou a me dar um UP. Com o DELPHT gravamos um puta cd, “Living in Fantasy”, mas teve muito desencontro na parte profissional da banda e a gente não conseguiu fazer o que era sempre planejado. O disco teve problemas para sair, ficando preso no estúdio, eu precisei ajudar mas depois vi que não daria certo e saí da banda.

Depois vieram os ótimos álbuns da banda PASTORE: “The Price for the Human Sins” e o “The End Of Our Flames”. De onde veio a ideia de lançar o seu próprio projeto? As experiências com as bandas anteriores te influenciaram nessa escolha?
Mário Pastore: Sim, graças a Deus. Em 2005 eu comecei com a ideia do PASTORE, porque várias pessoas falavam para mim, alguns fãs, que o meu vocal tinha muito de heavy metal tradicional, tipo Bruce Dickinson, Rob Halford, Geoff Tate e Michael Kiske, por exemplo, e que eu tinha que fazer um projeto mais voltado para esse estilo.

Pastore | The price for the human sins 2010

Pastore | The price for the human sins 2010

Inclusive eu estava de amizade na época com o Roy Z, pensei que um trabalho na linha do “Ressurrection”, do Halford, e os álbuns solos do Bruce realmente me dariam um UP, e assim saiu o primeiro álbum da banda PASTORE. Consegui lançar o single em 2008, em 2010, finalmente conseguimos lançar o “The Price for the Human Sins”, e realmente considero ótimos álbuns. Com certeza as bandas anteriores foram responsáveis por toda a influência musical e fizeram com que esses trabalhos fossem tão legais.

P astore | The end of our flames

P astore | The end of our flames

Os álbuns da banda PASTORE fizeram sucesso no Japão. Como surgiu a oportunidade de ingressar no mercado internacional? Houve uma grande diferença na aceitação desses discos pelos japoneses comparando-se aos brasileiros?
Mário Pastore: Realmente o “The Price for the Human Sins” e o “The End of Our Flames” tiveram ótima aceitação no Japão, principalmente o “The Price for the Human Sins”, que vendeu muito mais, 5 mil cópias logo de cara. No Brasil eles foram bem também, mas no Japão o pessoal gostou muito. Saímos na Burrn!, em matéria de duas páginas coloridas com entrevista, propaganda de página inteira, e atingimos nota 9, foi muito legal. E o guitarrista Raphael Gazal conseguiu uma entrevista na Young Guitar, que é uma revista muito importante no Japão. No Brasil a gente conhece como é a cena né? Então foi bem aceito, claro, vendemos álbuns, fizemos alguns shows, mas aqui é mais complicado, no Japão foi melhor.

Como foi gravar o “Labyrinth of Truths”, do SOULSPELL METAL OPERA, e fazer alguns shows com esse projeto?
Mário Pastore: O “Labyrinth of Truths” do SOUSPELL foi bem legal. Eu gravei como personagem principal, tive destaque aqui e foi comentado lá fora. É um disco que eu acho bem legal, tem muitos músicos bons. O Heleno faz um trabalho bom ali, é uma “metal ópera”. Fiz alguns shows, mas poderiam ter sido melhores em termos de público. Teve lugar que foi bacana, teve lugar que não foi muito, mas depois eu saí do projeto. Hoje falo com o Heleno e estamos com um bom relacionamento, mas não fiz mais nada com a banda. Desejo que eles tenham todo o sucesso, pois é um ótimo projeto.

Você participa do Coral e Orquestra Sinfonia Nobre. Conte-nos um pouco sobre ele.
Mário Pastore: O SINFONIA NOBRE é uma das orquestras com a qual eu mais trabalho. Foi fundada entre amigos e tenho um ótimo relacionamento com todos. Já trabalho há uns 4 anos com eles e nos apresentamos em casamentos, principalmente nas regiões do ABC e São Paulo. Eu também trabalho fixo com a BEST SELLER e com a DOLCE CANTABILLE, que são orquestras com ótimos músicos, e também nos apresentamos em muitos casamentos e outras cerimônias.

Seu atual grupo, o HEAVIEST, estreou com o álbum “Nowhere”, tendo ótima repercussão pela mídia especializada, com lançamento mundial desse disco. Como surgiu o convite, e quais são os seus planos com a banda?
Mário Pastore: Eu sempre digo que a HEAVIEST foi um presente de Deus para mim, porque são caras que eu amo como irmãos e eles também a mim, graças a Deus, e eu achava que isso não existia em bandas(risos). A gente se dá muito bem, e o “Nowhere” está tendo mesmo uma repercussão muito boa. Fizemos vários shows no ABC e em São Paulo, conseguimos ir para a Argentina, fizemos dois shows muito legais lá, a galera gostou muito da banda, fizemos entrevista no Paraguai… está sendo muito bacana, então muita coisa boa está para vir da HEAVIEST. Fui convidado pelo guitarrista Guto Mantesso, que veio falar comigo por mensagem no Facebook. Na época eu estava desanimado e deprimido, quase parando de cantar metal, então surgiu o convite e eu chamei ele para conversar, ouvi o som e gostei. Topei entrar para a banda e não me arrependo. Estou muito feliz com eles, muito contente mesmo. Somos amigos e tocamos juntos, e isso é uma coisa muito legal de se fazer.

Fale sobre o seu novo projeto POWERFULL – WARRIOR SOUL. O que o difere do PASTORE?
Mário Pastore: O POWERFULL é um disco que eu idealizei com alguns amigos e grandes músicos aqui de São Caetano. Foi uma coisa que eu planejei para ser calcado nos anos 80, como os discos “Holy Diver” e “The Last in Line” do Dio, “The Warning” do Queensryche, Racer X, Vicious Rumors daquela época, e atingimos esse resultado. Está um ótimo trabalho de hard ´n´ heavy, tem toda essa influência do Black Sabbath, Dio, Queensryche antigo e pitadas de Iron Maiden. Quem gosta dessa época, com certeza vai curtir esse disco. Gravamos, foi lançado em digipack e está vendendo muito bem, a galera anda elogiando muito. Por enquanto é um projeto e não uma banda, mas a gente ainda tem mais para mostrar, tem mais discos para lançar, e vamos em frente, vamos trabalhando e estou muito contente com ele. A diferença em relação entre as duas bandas é que ele foi mais calcado nos anos 80 mesmo, enquanto o PASTORE é mais pesado, um heavy metal tradicional, na linha do Halford e da carreira solo do Bruce.

Powerfull Warrior Soul

Powerfull Warrior Soul

Em especial, de todos os seus trabalhos, há alguma canção sua que você tenha como preferida? E por que?
Mário Pastore: Dos trabalhos que eu gravei, principalmente dos mais recentes, tem algumas que eu gosto, não é nenhuma em especial. Na HEAVIEST eu gosto da “Time”, “Land of Sin” e “Crawling Back”, e no POWERFULL eu gosto muito da “Reborn”, “Believe” e da “Fireball”. São músicas que eu gosto muito , mas não tem nada assim em especial, são músicas que eu gostei de cantar, de interpretar e achei que ficaram boas na minha voz.

Você também é tenor da comunidade italiana de SP. De onde veio essa afinidade com a música italiana?
Mário Pastore: Sim, eu fui tenor do maestro Bonanni. Durante 12 anos trabalhei com o “Bonanni Italian Show” e fizemos apresentações pelo Brasil inteiro. Foram festas italianas, entre elas Achiropita e San Vito. Fomos para Belo Horizonte, Mato Grosso, e um monte de lugares. Ultimamente a banda não existe mais, mas às vezes eu trabalho com o Bonanni em alguns eventos. Tive essa afinidade com a banda pelo Daniel Bonanni, que é filho do maestro. Ele me viu cantando ópera e disse que iria falar com o pai dele. Conheci o maestro, fiz um teste e entrei na banda. Sou filho de italianos também, escuto ópera e música popular italiana desde criança, meu pai me influenciou muito. Com certeza, juntei o útil ao agradável.

Há muitos anos que você também dá aulas de canto. Como funciona, e onde ministra essas aulas?
Mário Pastore: Dou aulas de canto há mais ou menos 25 anos, e estou ministrando essas aulas (antes eu trabalhava em um estúdio que eu tinha na casa da minha mãe) em um espaço no centro de São Caetano do Sul, de muito fácil acesso. Lá eu tenho os equipamentos necessários, e eu ministro as aulas mostrando para o aluno a parte fisiológica, respiratória, a condução da voz, como aumentar a extensão, a identidade vocal, timbrar a voz direitinho e a trabalhar com dinâmicas diferentes para a pessoa aprender a cantar de vários jeitos. Eu costumo gravar os alunos e mostrar para eles o que está certo e o que está errado. Lá temos os playbacks para trabalhar, e isso vai fazendo a pessoa evoluir.

Quais mudanças você sente na cena heavy metal nacional ao longo dos anos? O que te faz mais falta?
Mário Pastore: Eu vejo que tem ótimas bandas no metal nacional e muito bons músicos. Eu acho que melhorou no quesito de ter muitas bandas lançando trabalhos, e o público está comprando mais, acho que as bandas estão evoluindo mais. Mas o que falta são pessoas sérias, com condições de investir nesse mercado e um pouco menos de radicalismo do povo que curte isso, menos dessa coisa de deixar tudo no underground. Procurar assistir aos shows, elevar as bandas a um outro patamar, como é feito no cenário popular. O público de rock e heavy metal é menor que do apelo popular aqui, e na minha opinião isso não é legal.

Você também é amante de artes marciais. De onde veio esse interesse e quais são você treina e já treinou?
Mário Pastore: Comecei nas artes marciais aos sete anos de idade. Isso veio do meu sangue, está no meu DNA (risos). Comecei com judo e karatê, cheguei a me formar em karatê, e depois pude atuar. Em 2014, após mais de 10 anos de treino, me formei faixa preta em aikido, e também dou aula. Adoro essa arte, meu sensei Wagner Tomi há muito tempo é uma lenda no aikido brasileiro, juntamente com o nosso presidente Severino Sales. Também pratiquei kung fu, jiu-jitsu, e pretendo ir em frente, pretendo treinar até ficar velhinho e ir embora (risos). Gosto demais e sou grato, porque eu desenvolvi uma ótima habilidade nessas artes e isso também me ajuda no meu dia a dia.

Se pudesse escolher integrantes para uma jam, quais seriam e por que?
Mário Pastore: Boa pergunta! Bom, Steve Harris no baixo, na guitarra Roland Grapow (é um cara que gosto pra caramba, que tem bom gosto e toca muito bem) e na bateria Vinny Appice. É isso aí, seria uma banda que eu gostaria muito de uma jam.

Pastore e Grapow

Pastore e Grapow

Quais são os seus projetos para 2017?
Mário Pastore: Meus projetos para 2017 são lançar novas coisas. Não vou falar muito a fundo, mas estou em fase de compor, gravar demos e, se Deus quiser (embora difícil aqui no país e com o cenário mundial meio complicado) fazer shows e sair para mais lugares fora do país. Continuar com os minhas aulas, desenvolver meus projetos. Dia 18 de fevereiro, farei um workshop aqui em SP, na escola Ever Dream. É um workshop para falar sobre drive e versatilidade vocal. Alunos, aulas, trabalhos lançados e gravados, que eu tenho. Se Deus quiser, “Pastore 3” chegará, já estou gravando.

E para finalizar, quais os conselhos que ficam para os novos músicos, baseados em experiências que teve ao longo da sua carreira?
Mário Pastore: O conselho que dou aos músicos que estão iniciando é: tenham paciência. Quando formarem uma banda, procurem por pessoas com as quais você tenha afinidade pessoal e que um tenha compreensão com o outro. Não peguem pessoas deslumbradas, com o ego na lua, achando que são os donos da verdade e que a coisa vai acontecer fácil, porque não vai. Realmente, como eu disse, é algo difícil e ingrato muitas vezes, mas se feito com amor, a tendência é sempre ter uma luz no fim do túnel. Então a dica que eu deixo aqui é que as pessoas se entendam para trabalharem juntas, e que haja harmonia e nenhum dono da verdade absoluta. É assim que funciona. Agora estou tendo ótimas experiências porque trabalho com pessoas maduras, que gostam de mim, que me compreendem e me entendem, e vice e versa. Não trabalhem com pessoas que são deslumbradas e egocêntricas, é assim que tem que ser.

Forte abraço, e metal nacional na veia. Valeu!

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Site Oficial da banda Heaviest

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