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Maximus Festival leva quase o dobro de público em comparação ao evento de 2016

Maximus Festival leva quase o dobro de publico em comparação ao evento passado

Maximus Festival que celebra o rock pesado, mostrou-se um sinônimo de inovação, uma decoração diferenciada e já superando o evento de 2016 em público.

Foto de Ronaldo Borges

São Paulo foi agraciada com mais um festival de musica pesada, o Maximus Festival que ano passado, já mostrou um sinônimo de inovação, uma decoração diferenciada, mas, em minha opinião, não é um festival de metal, assim como o Lollapalooza não é um de rock.

O Maximus celebra o rock pesado, que nem sempre pode ser chamado de heavy metal, já que muita banda de hardcore tocou, grupos que mesclam o rock com o rap, também são chamados, assim como estilos industriais que agradam o publico gótico.

O festival tinha grandes opções de comidas, alpinismo, no camarote tinha mesa de poker, maquiador, tatuador, como todos sabem, eu sou daqueles que vou a show de rock para assistir show, jogar cartas, praticar esporte, me embelezar, faço isso em outros lugares.

Exatamente 40.000 pessoas compareceram, quase o dobro do ano passado, camisas do Slayer e do Linkin Park eram as mais vistas, mas, na porta os ambulantes alegaram que a do Five Finger Death Punch era a mais procurada.

Um fato curioso, tínhamos um cemitério fictício, com cabeças de bonecas penduradas e, cruzes com nomes de artistas que já se foram como: Fred Mercury, Janis Joplin, Cliff Burton, Randy Rhodes, Brian Jones, David Bowie, Ramones, Jim Morrison, Lemmy Kilmister. Segundo informações abaixaram os preços dos ingressos na porta.

Nem Liminha Ouviu: A banda de Tatola da rádio 89 FM, famoso por várias bandas que passou, como o Não Religião, ele estava com a camisa escrita “Não tem Perdão”, esse grupo que tem na guitarra dois amigos meus, Weco e Gabriel, infelizmente tocaram ao meio dia, estava vazio, apavoraram com o cover dos Replicantes, “Surfista Calhorda”. Eles abriram o palco Thunder Dome, o mais afastado, dedicado ao hardcore.

Quem abriu o palco Rocka Tansky, foi à banda brasileira Oitão, que faz seu punk/hardcore nervoso, o vocalista Henrique Fogaça, hoje é famoso por apresentar o programa televisivo Master Chefe, onde ele é chefe de cozinha e jurado de aprendizes a chef gourmet, a banda não poupou energia, letras como “4º mundo” e “Não me Entrego”, suas canções são calcadas em problemas sociais como: desigualdade e corrupção, o problema é que ainda era cedo e não tiveram um grande publico.

Os capixabas do Dead Fish, também se apresentaram no palco do hardcore, na hora deles, começou as escolhas, pois a banda Red Fang, dez minutos depois, entrou em cena, abrindo o palco Maximus, a banda brasileira foi super comentada pelo seu bom show de punk rock melódico, eles que sempre assumiram uma postura de esquerda, comentaram sobre o suposto golpe, que dividiu o publico que comentava a tal atitude do vocalista Rodrigo, só para lembrar, até o século passado, a maioria dos roqueiros se dominavam esquerdistas, coisa que mudou muito, nos últimos quinze anos.

Foi muito agito, com Rodrigo dando mosh e cantando com a galera, eles continuaram com os ataques políticos, falaram do poder das emissoras de televisão no Brasil, levaram bem as musicas: “Tão Iguais”, “Asfalto” e “Queda Livre”, saíram bem.

Red Fang: A banda americana de Stoner Rock tem apenas três álbuns, mas já são considerados grandes no estilo adotado, eu tive o prazer de conhecer essa banda durante uma entrevista que fiz a João Gordo em sua casa, resumindo, todos que assistiram acharam a banda muito boa, eles tiveram apenas meia hora, tocando sete musicas, o som estava muito baixo, conseguiram em pouco tempo abrir rodas, agora como o vocalista Bryan tem cara de morto, animo meu amigo, destaque para as musicas: “Wires”, “Blood Like Cream”, “Prehistoric Dog”, talvez merecessem, mais tempo, eles foram os primeiros a tocar no palco Maximus, o principal do evento.

Hatebreed: Voltamos ao palco Rocka. A banda que faz o verdadeiro hardcore nova yorkino, influenciados por bandas como Agnostic Front e Cro Mags, lembrando que eles são de New Haven, quem já viu alguma apresentação da banda, sabe que eles se crescem e muito em festivais ao ar livre, dessa vez não foi diferente, James Jasta provou mais uma vez ser um ótimo frontman, muitos começaram a chegar na hora da banda, que levou treze canções, tiveram apenas quarenta minutos, destaque para a ótima “Destroy Everything”, eles abriram com: “To the Threshold” e fecharam com “I Will Be Heard”, a banda que sempre confessou também gostar de metal extremo. Uma bandeira da banda era vista ao fundo do palco.

Bohse Onkels: Voltamos ao palco principal, à banda alemã que já tem trinta e sete anos, canta na língua natal, fato que não atraiu muita gente, mas, receberam aplausos, eles que já foram punk, partindo para uma pegada hard/heavy, e no palco eles conseguem misturar os dois estilos, foram apenas nove musicas, abrindo com “10 Jahre” e fechando com “Auf Gute Freunde”, uma banda que tem que voltar ao Brasil para um show apenas dela, eles que são
grandes em seu país.

Bohse Onkels tocando no Palco principal (Foto de Ronaldo Borges)

Bohse Onkels tocando no Palco principal (Foto de Ronaldo Borges)

Voltamos ao palco hardcore, o Flantliners era a banda que menos despertava interesse, esses canadenses, que fazem um hardcore melódico, com ska, tinham pouco publico, quem assistiu disse que o show não foi ruim, mas, talvez a banda mais underground do evento, tocaram no mesmo horário dos alemães, o publico se dividiu, por eles estarem mais afastados, tinham menos pessoas, mesmo assim, os poucos fãs abriram as rodas, destaque para as
musicas, “Liver Alone”, “Human Party Trick”, “Indoor” e “Fred’s Got Slacks”. Eu para ser sincero não conhecia a banda, achei eles bem comum. Talvez a musica “Hang my Head” causou mais alvoroço.

Ghost: Confesso que quando assisti ao show dessa banda no Rock in Rio 2013, achei péssimo, muito teatro e pouca música, mas, admito que eles se redimiram, tiveram pouco tempo, o Papa nome do vocalista mudou de nome, agora é Papa Emeritus III, o visual está menos exagerado, parecendo os músicos do Joelho de Porco (banda brasileira dos anos de 1970), eles tocaram apenas oito musicas, não é show para ser de dia, mesmo assim não reclamaram do sol, o guitarrista estava com uma mascara, que lembrava personagens do filme: De Olhos Bem Fechados (Tom
Cruise e Nicole Kindman), confiram.

Apresentação da banda Ghost (Foto de Ronaldo Borges)

Apresentação da banda Ghost (Foto de Ronaldo Borges)

Eu reparei que o baixista não estava no palco, depois descobri, que ele está machucado, então tocou nas coxias, destaque para as musicas: “Fron the Pinnacle to the Pit”, “Square Hamer”, “Ritual”, “Cirice”, “Year Zero”, “Absolution”, Papa, mostrou simpatia descendo na barricada, esses suecos tem apenas três álbuns, não revelam a identidade, mas, mostraram ter vários fãs no Brasil, apesar dos temas satanistas, eles não fazem um rock tão pesado e, sim com vocais limpos. Tocaram no Rocka. O fundo do palco tinha imagens de cartas do tarô satânico.

O palco da banda Ghost (Foto de Apresentação da banda Ghost (Foto de Ronaldo Borges))

O palco da banda Ghost (Foto de Apresentação da banda Ghost (Foto de Ronaldo Borges))

Agora era a vez de Rob Zombie que tocaria no palco principal, infelizmente, eu optei pelo Pennywise que tocou no mesmo horário, eu tive o prazer de ver Zombie no Rock in Rio, posso dizer que é demais, todos que assistiram no Maximus, rasgaram elogio, seu rock, que também é teatral, mas, ao contrario do Ghost, Rob reclamou do calor, voltando às escolhas, foram muitas as reclamações por causa da troca de horário, já que o Pennywise tocaria junto com o Ghost, a troca de ultima hora, causou revolta para quem queria ver as duas bandas, eu fui um deles.

Vamos ao show, abriu com “Dead City Radio and New Gods of Supertown” tocou dezesseis musicas, claro que não deixaria de fora os clássicos de sua antiga banda, “More Human Than Human” e “Thunder Kiss 65”, como sempre suas musicas de destaque são tocadas: “Living Dead Girl”, “Superbeast” fez um cover de Alice Cooper “School Out”, fechou o show com “Dragula”, os seus músicos como sempre, tão exótico quanto ele, que estava com uma roupa brega, cheia de franjas, no fundo imagens do filme King Kong (versão de 1933), os temas continuam monstros e
sobrenatural, grande show como sempre, apesar de não ter visto, ponho a mão no fogo.

Rob Zombie tocando no palco principal (Foto de O palco da banda Ghost (Foto de Apresentação da banda Ghost (Foto de Ronaldo Borges)

Rob Zombie tocando no palco principal (Foto de O palco da banda Ghost (Foto de Apresentação da banda Ghost (Foto de Ronaldo Borges)

Pennywise: A empolgação antes de eles entrarem era muita, liderado por Jim Linderberg, donos de doze álbuns, que são marco no mundo do hardcore, eles que demoraram a vir ao Brasil, mas, agora fizeram a sexta visita, rodas e mais rodas, a banda esbanjou os clássicos, tipo na hora da “Bro Hymm” aquele famoso coro.

Para provar a sincronia com o publico, Jim começou a mencionar as camisas que estavam na plateia, dizia: Ramones, The Clash, Exploited, Circle Jerks, depois perguntou: Vocês querem Ramones ou Bad Religion, o publico se dividiu, ele cantou “Blitzkrieg Bop” dos Ramones e “Do What You Want” do Bad Religion, em seguida não parou emendando clássicos: “Wouldn’t it be Nice”, “Alien”, “Stand by Me” (cover de John Lennon), “Society”, “Fuck Authority”, “Same Old Story”, “As Long as We Can”, claro, tocou o grande sucesso do álbum About Time “Peaceful Day”, em minha opinião, a musica que mais representa a banda.

Enfim o show que você perde caloria, pois todos entram no pogo. Não deixaram “Every Time” de fora.

Five Finger Death Punch: A banda de Las Vegas que mais representa o novo metal, tem músicos de qualidade que já tocaram com Wasp e Alice Cooper, começaram abrindo com um dos principais clássicos da banda, “Lift me Up”.

Eles que estavam no palco Stanky, fizeram cover do Bad Company (a musica tem o mesmo nome da banda), tocaram doze musicas, sendo duas acústicas, destaque para: “Wash it All Away”, “Remember Everything”, fecharam com “Coming Down” tocando nos alto falantes.

O vocalista Ivan conversa com o publico, ele que entrou com uma pintura louca no rosto, e colocou a camisa do Soufly, o problema, foi que ele parou o show para brincar, pedindo que pessoas subissem no palco, dando uma esfriada no publico.

Donos de seis álbuns, eles têm as letras calcadas em problemas sociais, pessoas mais velhas, que não conheciam a banda a elogiaram, eu que não sou um grande conhecedor, achei interessante, apenas, achei problema, na esfriada que eles deram no publico.

O baterista Jeremy é um show a parte em todos os sentidos, inclusive a maquiagem.

O ultimo show no palco hardcore, Thunder Done, Rise Against foram os encarregados de finalizar, foi bem na hora do Slayer, o que fez com que na hora do Pennywise o publico se dividisse, uns dizendo que assistiriam a banda de Thrash, outros ficariam com o hardcore do Rise Against dona de oito álbuns, representante do
punk/hardcore de Chicago.

Eu não assisti, pois não perderia o Slayer, sendo que em 2011 eu assisti a primeira apresentação deles aqui no Brasil, eles adiantaram algumas musicas do álbum que lançarão, o nome será Wolves, Tim mostrou ser um grande vocal, quando foi ao palco do Phrofects Of Rage, e cantou “Kick Out the Jams” do MC5, levando de forma maravilhosa a musica.

Pelo que eu sei, a que mais abriu roda foi “Savior”, emendaram uma atrás da outra, “Ready to Fall”, “Give it All”, “I Don t Want to be Here Anymore”, “Satellite”, “Hero of War”, “Swing Life Away”, “Prayer of the Refugee”, quem assistiu falou bem.

Os membros da banda (com exceção do batera) são Straight Edge, abstinência a álcool e drogas.

Slayer: Uma banda que afirmo, é muito querida no Brasil, pela sexta vez pisaram em nossas terras, o publico mais velho do local, era para ver o Slayer, possuindo onze álbuns, as primeiras musicas, que pertenciam aos trabalhos mais novos, não empolgaram o publico, mas, claro “Hell Awaits” e “Rainning Blood” causou alvoroço.

Gary Holt, o ex-guitarrista do Exodus, levou mais uma vez muito bem o instrumento, não faltou força, rapidez, empolgação, o batera Paul Bostaph, que foi o que mais veio ao Brasil, mesmo não sendo da formação original, não poupou velocidade, alias, o telão, fazia com que todos, entrassem na adrenalina, pois as imagens eram muito rápidas, mostrando cada segundo um musico, isso junto com a rapidez da banda.

O vocalista Tom Araya (que é chileno), dizia: E ai galera, São Paulo, estão se divertindo? Hoje com uma barba branca, no melhor estilo vovô. A festa continua com “Repentless”, “Disciple”, “Postmorten”, “Hate Worldwide”, “Black Magic”, “War Ensemble”, mas, as que mais levantaram foram “South of Heaven” e “Seasons in the Abyss” musica do mesmo nome do álbum, lançado em 1990, que teve seu clip na época comercializado pela MTV.

Eles fecharam com “Angel of Death”, musicas que queríamos ouvir, a satisfação do publico foi imensa, sendo que alguns foram até embora, não assistindo as próximas bandas, Slayer tocou no palco principal, Kerry King manteve sua fiel presença. Tocaram dezesseis musicas.

Prophects of Rage: O super grupo, formado por três Rage Against Machine, Tom Morelo, o baixista Tim, e baterista Brad, dois membros do Public Enemy, Lord e Chuck D, e B Real do Cypress Hill.

O estilo Panteras Negras foi adotado pela banda, que tocou no palco Rocka Tansky, palavras como poder e resistência eram citadas durante o show, eles que tocaram durante a semana na casa Cine Joia, onde segundo informações o publico era mais do Rap.

A banda que possui uma postura totalmente de esquerda, quando o Rage Against tocou aqui no SWU, eles colocaram o boné do MST, como eu já disse nesse texto, estou no rock há quase trinta anos, o publico já foi de esquerda, hoje não é, Tom chegou a dizer na semana, quem não tivesse dinheiro para assistir, deveria invadir e, curtir de graça, mas, isso não aconteceu, não houve uma ocorrência de invasão, a ideia da banda é atacar o presidente Trump, dos E.U.A., nas costas da guitarra de Morello tinha um Fora Temer, como se eles fossem tão informados sobre a política de nosso país.

As musicas do Rage Against são as mais tocadas, como: “Take the Power Back”, “Guerrilha Radio”, “Bulls on Parade”, “Killing the Name”, B – Real com um turbante de árabe, levou muito bem o vocal acompanhado de Chuck D, dando uma pausa na resenha, Tom Morello se diz comunista, e mora numa mansão na Califórnia, no site da banda, as camisas são bem caras, só para avisar o ídolo Che Guevara, repugnava garotos que gostavam de Beatles e Rolling Stones, vamos voltar a sequencia, levaram Cochise (Audioslave), fizeram um medley de canções que tinha “Insane the Brain” do Cypress Hill, “Bring the Noise” Public Enemy junto com Anthrax, “Jump Around” do House of Pain, outra do Rage Against que merece destaque é “How I Could Just Kill a Man”, “Fight Power” clássico do Public Enemy, rolou um cover do White Stripers “Seven Nation Army”, a única musica do Prophect of Rage foi “Unfuck the World”, não fizeram cover do Beastie Boys. Como de costume, eles entraram no palco com um Megafone, um bom show, que animou, apesar da minha ironia em relação à postura esquerdista da banda, eu aprovo a preocupação deles, em relação, a desigualdade, quanto ao publico, se dividiam quando o assunto era política.

Linkin Park: A banda mais comercial do festival, levou publico que era de trintão que acompanhou o começo da banda, a adolescentes que estavam exclusivamente para assistir o show dos americanos, donos de sete álbuns, alguns garotos aproximaram na hora do Slayer para assistir na grade o Linkin Park, alguns até aplaudiram o show da banda de Thrash Metal, mas, acho que a postura do grupo é muito comercial para um festival desses.

Eles estão na turnê do álbum One More Light, o vocalista Chester e o rapper Mike dividem a liderança da banda, eles erraram de ter feito uma versão acústica do maior sucesso “Crawling”, as musicas da qual percebíamos certa empolgação do publico foi “Breaking the Rabbit”, “One Step Closer”, “Faint”, “Somewhere I Belong”, mas, o show é bem pop! Nem sombra daquele de 2010, que pela televisão pareceu ser pesado, as musicas novas são bem eletrônicas, a exemplo das canções “Batlle Symphony” e “Numb”.

A bandeira do Brasil aparecia ao fundo, com o símbolo da banda no meio, foram vinte e duas musicas, fecharam com “Papercut” e “Bleed it Out”, eles que também se apresentaram na Argentina, Chile e Peru.

Um show que agitou ao publico especifico deles, mas, que foi bem chatinho.

Resumo foi bom ver uma evolução no publico, onde fãs de metal e punk dividem hoje o mesmo espaço, ver pessoas com camisa do Pink Floyd assistindo shows de hardcore, fãs de metal extremo, respeitando bandas de new metal e rap rock, mas, claro nada é perfeito, rolou stress na estação de trem de Osasco, onde grupos extremos se digladiaram com headbangers.

Eu presenciei fãs do Slayer olhando feio no trem, para um garoto com a camisa do Nirvana, assim como no show do Slayer, durante os pogos, fãs do Linkin Park se machucaram, uma garota postou no facebook que teve a perna fraturada, já que eles se aglomeravam, na esperança de ficarem perto da banda de cabeceira, coisas para se pensar nas proximais edições, onde não se coloca uma banda extrema, com uma comercial, quase na sequencia.

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