Entrevistas

Milton Medusa e sua vida dedicada às guitarras

Milton Medusa

Conheça um pouco da trajetória do guitarrista Milton Medusa e a entrevista concedida à Line Rockers.

Foto de Leandro Almeida

Conheça um pouco da trajetória do guitarrista Milton Medusa

Guitarrista profissional desde 1988, nascido em Santos, Milton Medusa atuou com as bandas Oryon, V2 e Xandra Joplin, entre outras. É professor do IG&T São Paulo, onde se formou, desde 2003, dá aulas particulares e leciona na Oficina de guitarra da secretaria de cultura de Guarujá.

Seu trabalho de maior destaque é com o seu Medusa Trio, que desenvolve trabalho instrumental de blues rock e acompanhou Frejat, Percy Weiss, Willie, Serguei, Mozart Mello e Kiko Muller. Escreveu matérias para as revistas Guitar Class e Guitar Player, além do IG&T Book.

Realizou a Master Class “A Guitarra no Blues Rock” em várias cidades do estado de São Paulo e na Bahia. Participou de shows de André Christóvam, Made in Brazil, Golpe de Estado, Kim Khel e os Kurandeiros, Robertinho de Recife e fez workshop com Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial.

Atualmente, está em cartaz com os shows “Divina Mutante – Tributo à Rita Lee” e “Esquinas de Minas”, com a cantora Débora Paiva & Medusa Trio, shows e workshops com o Medusa Trio, além de acompanhar o cantor Willie de Oliveira (ex-Rádio Táxi), com o show “Anos 80” e ainda integrar a “Snake Band – Whitesnake Tribute” e “Os Procurados”, com o show “Releituras David Bowie”.

Conversamos com o incansável instrumentista Milton Medusa, que é do Blues, do Rock Clássico, do Hard Rock, da MPB , do Jazz, … Confira!

Quando foi o seu primeiro contato com a música?
Milton Medusa – A música sempre foi muito presente em minha família e com 2 anos já tinha um compacto, entre outros, com uma música do Raul Seixas, “Quem não tem colírio usa óculos escuro”. Minha mãe e irmã tocavam piano e meu bisavô materno foi maestro na Itália, então, a música já estava no meu DNA. Fui crescendo e com 8 anos queria aprender a tocar guitarra, mas na baixada santista, onde moro, só se conhecia conservatórios com cursos de violão erudito e lá fui eu com 8 para 9 anos, em 1982, ter o primeiro contato com um instrumento… Com a chegada do primeiro Rock in Rio, o mercado se abriu e daí iniciei, finalmente, a ter aulas de guitarra. Do final de 1986 em diante, com 13 anos, comecei a tocar nas primeiras bandas e fiz minha estréia em palcos um dia após completar 15 anos. Não parei mais depois disso… Antes desse evento, só me apresentava nas audições das escolas de música.

Formação atual do Medusa Trio

Formação atual do Medusa Trio

Você gravou um CD com o Medusa Trio. Conte um pouco sobre como foi a gravação dele.
Milton Medusa – Foi um EP com três faixas instrumentais gravado e lançado em 2009, pela gravadora Som Original. A gravadora estava começando e nos convidou para este trabalho, devido ao prestígio que tínhamos naquele momento. Foi super bem produzido pelo guitarrista Oscar Pestana, que explorou ao máximo nossa musicalidade e recursos de seu estúdio. Levamos alguns meses produzindo-o, mas a repercussão valeu a pena, pois rendeu matérias em algumas revistas e sites. Fizemos uma série pequena de shows de lançamento e as 400 cópias se esgotaram em pouco mais de um ano. Foi gravado por mim, nas guitarras, Ronaldo Lobo, no baixo, e Luis Pagoto, na bateria. Pretendo regravar estas músicas no cd que estamos preparando e até utilizar alguma gravação deste como bônus.

Quais são as suas principais influências?
Milton Medusa – Como influências principais e por importância histórica, Ritchie Blackmore, Eddie Van Halen, Brian May e Jimi Page. Porém, cresci ouvindo Kiss, AC/DC, Iron Maiden, Scorpions e Whitesnake, portanto, todos os guitarristas destas bandas eu considero como influências importantes por terem despertado em mim a vontade de ter uma banda e ser músico. Há muitos anos, cito três caras que me identifico muito: Neal Schon, Steve Lukather e Trevor Rabin, pela técnica, pegada monstruosa e, acima de tudo, por serem grandes intérpretes!

Dos nacionais, Wander Taffo é o primeiro da lista, seguido por Robertinho de Recife e Marcelo Sussekind (Herva Doce), que foram os primeiros que me chamaram a atenção quando criança. Quando evoluí como guitarrista, me liguei no Celso Blues Boy, André Christóvam, Daril Parisi, Mozart Mello, Faíska e Edu Ardanuy. Não dá para citar somente 2 ou 3, pois é um universo musical muito grande.

Cite 5 álbuns que marcaram a sua vida.
Milton Medusa – Isto é Hollywood (coletânea com Peter Frampton, Journey, Kansas, Survivor, The Police, Santana,Toto, e outos);
– Creatures of the Night – Kiss;
– Machine Head – Deep Purple;
– Led Zeppelin II;
– Lean into it – Mr. Big;

Você tem sido convidado por Robertinho do Recife, a tocar em seus shows como participação especial. Como surgiu esse convite?
Milton Medusa – Bem, não contava que ainda o veria ao vivo, devido a sua longa ausência dos palcos, mas um produtor me perguntou por onde ele andava e o descobri no Facebook, disse que era seu fã de longa data e ficamos bem amigos. Tempos depois, ele me procurou dizendo que logo tocaríamos juntos e nem acreditei nisso, pois nem em sonho poderia imaginar isso quando era adolescente… Demorou um pouco para surgir uma oportunidade até que ele iniciou uma série de shows pelas unidades do SESC de São Paulo, neste semestre, e eu acabei me envolvendo na produção, também, para ajudar na viabilização destes. Nos shows do Belenzinho e de Santos, ele me chamou na última música, “Metal Mania”, que ouvia em fita K7, me apresentando com palavras gentis e me deixando solar a vontade. Um privilégio!

Milton Medusa e Robertinho do Recife

Milton Medusa e Robertinho do Recife | Foto de Bolívia & Cátia Rock

Em Araçatuba, foi um show com o melhor de sua carreira, e, além da “Metal Mania”, toquei violão em 3 músicas, sendo uma delas a “ No Mundo dos Sonhos”, tema da novela “O Pantanal”. Foi difícil conter a emoção, mas com a confiança que ele me transmitiu e o apoio dos muitos amigos e fãs que foram nos ver, entrei muito feliz com a oportunidade e toquei com muita vontade!

Sou muito grato à ele e sua banda por tudo isso.

Se pudesse escolher alguém para dividir o palco, quem seria?
Milton Medusa – Com David Coverdale! Ele é a grande voz do Hard Rock e tocaria com muito gosto suas músicas ao seu lado…

Você tocou com grandes nomes do rock nacional, cite alguns deles e a experiência em tocar com cada um.
Milton Medusa – Sim, a estrada nos aproximou… A partir de 2004, fiz participações em shows de Made in Brazil, André Christóvam, Golpe de Estado e Kim Khel & Os Kurandeiros, todos artistas que acompanhava suas carreiras. Foram oportunidades que começaram a me abrir muitas portas no meio musical, pela relevância destes. Já com o Medusa Trio, ganhamos boa projeção e credibilidade pela nossa aparição no Programa do Jô, da TV Globo, logo no início, em 2007, e daí conciliamos o trabalho instrumental com os projetos ao lado de artistas de rock nacional. Logo de cara, acompanhamos Frejat e Wander Taffo, no Guitar Player Festival e foi uma vibração muito grande dividir solos com músicos que me inspiraram, além do fato de representarmos três gerações de guitarristas brasileiros.

Fizemos vários shows com Serguei e Percy Weiss, artistas que nos ensinaram muito sobre performance no palco. Serguei entrava em cena e ganhava o público automaticamente. Eu tinha uma fita K-7 com o disco “Jack, O Estripador”, do Made in Brazil, e foi uma realização tocar aquelas músicas ao vivo com o Percy, sendo que ainda fizemos um show acústico com ele com novos arranjos. Ainda acompanhamos Kiko Muller (ex-Golpe de Estado), Mozart Mello, Kid Vinil e Willie de Oliveira (ex-Rádio Táxi), com quem prosseguimos atualmente. É uma responsabilidade muito grande tocar com todos estes que citei e todos tem uma ligação com a minha formação musical de alguma forma, como o show com o Willie, pois toco as músicas que foram consagradas por Wander Taffo, por seus solos magníficos e arranjos super elaborados.

Vale citar que o solo de “Garota Dourada” foi o primeiro que me chamou a atenção quando garoto, então, imagine o filme que passa na minha cabeça quando toco-a ao vivo!!!

Quais os seus projetos em andamento, e quais seus planos futuros?
Milton Medusa – Continuo dando aulas no IG&T, em São Paulo, desde 2003, além das particulares, em Santos e São Paulo, e a Master Class “ A Guitarra no Blues Rock”. Atualmente, estou em cartaz com os shows “Divina Mutante – Tributo à Rita Lee” e “Esquinas de Minas”, com a cantora Débora Paiva & Medusa Trio, além de acompanhar, também com o Trio, o cantor Willie de Oliveira (ex-Rádio Táxi), com o show “Anos 80” e ainda integrar a “Snake Band – Whitesnake Tribute” e “Os Procurados”, com o show “Releituras David Bowie”. São todos projetos que adoro fazer e pesquisei muito a respeito.

Faço muitas apresentações acústicas, também, em eventos e espaços diversos. Diminuí os shows e workshops com o Medusa Trio, neste ano de 2016, para me dedicar a produção do nosso primeiro cd completo, que encontra-se em fase de finalização da pré-produção. Ele terá dez músicas, sendo nove instrumentais, incluindo alguma versão que fazemos nos shows e outra com convidados a confirmar.

Na formação atual, temos o Fernando Tavares, no baixo, e Luis Pagoto, na bateria, que são grandes profissionais, amigos e parceiros. Quero gravar pelo menos uma música cantada, já deixando uma pista para o próximo cd que farei, em breve, pois é outro projeto que fui deixando de lado por outras prioridades na vida profissional e pessoal, mas sinto que agora é a hora de concluir tudo isso, que é o principal motivo de ter iniciado minha trajetória: montar uma banda e cair na estrada!

Milton Medusa e Willie de Olilveira

Milton Medusa e Willie de Olilveira | Foto de Leandro Almeida

Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o seu trabalho, e para aqueles que ainda não conhecem, mas que apostam nos músicos brasileiros.
Milton Medusa – Sou muito grato a todo apoio que recebo dos amigos, familiares, alunos, fãs, músicos, produtores , contratantes e veículos de comunicação como a Upper Music e Line Rockers, que estão me dando este espaço para expor minhas ideias e projetos.

Gostaria de fazer um agradecimento especial a Moshi Moshi Produtora e a Hourneaux Oficina de Luthieria, por acreditarem no meu trabalho. Tudo que faço é com muita dedicação, seriedade e paixão, senão não funciona para mim. Por isso, posso demorar para realizar alguns projetos, mas gosto de fazer tudo muito bem feito e logo, com o lançamento do cd do Medusa Trio, quero estar em todas as plataformas digitais para alcançar um público maior.

Por enquanto, o pessoal pode conhecer meu trabalho pelas fan pages do Medusa Trio e Milton Medusa, no Facebook, e os mesmos títulos no Youtube.

Muito obrigado pela oportunidade e espero encontrá-los virtualmente e pessoalmente, nos shows e eventos!

Milton Medusa

Milton Medusa | Foto de Leandro Almeida

Deixe seu comentário

To Top