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Milton Toller: A arte, o desenho ou a música não são minhas, eu sou apenas um filtro por onde ela passa e se transforma

Polivalente Milton Toller

Entrevista com Milton Toller: Músico, Ilustrador, artista plástico, professor de artes, ilustrador digital, tatuador e designer gráfico. UFA!!!

Músico, Ilustrador, artista plástico, professor de artes, ilustrador digital, tatuador e designer gráfico. UFA!!!

Milton Toller  é o que podemos chamar de um artista completo. Além de músico, é tatuador há mais de 15 anos, artista plástico, professor de artes, ilustrador, designer… participou por 13 anos da banda paulistana Skulk Partition Root, como baterista, e baixista em algumas épocas. Atualmente desenvolve trilhas para games, além das inúmeras atividades já citadas acima. A música tornou Toller o que é hoje, pois foi a sua paixão musical que o foi levando a cada patamar da carreira.

Milton Toller nos conta detalhes de suas carreiras nessa entrevista exclusiva para o Line Rockers

Como começou a sua admiração pela música?
Milton Toller: Começou quando eu era criança, mas de uma maneira diferente. Eu não gostava das músicas que meus pais ouviam e como não tinha acesso ao rock, eu acabava me afeiçoando nas músicas de trilha sonora de filmes. Mais ou menos aos 8 anos de idade meus primos começaram a me mostrar algumas bandas como Allan Parsons Project, Marillion, Pink Floyd, KraftWerk, entre outros. Já na escola, comecei a ser apresentado ao AC/DC e Iron Maiden por alguns amigos que gostavam de desenhar, e como nessa idade era uma super competição desenhar melhor que o outro, todos nós éramos pirados pelas capas do Derek Riggs e aí tudo se misturou, comecei a tocar bateria com 11 anos e a desenhar os temas das bandas da época.

Qual o seu estilo musical preferido? Tocou em bandas nesse estilo?
Milton Toller: Não consigo dizer que tenho um estilo preferido, mas agora consigo acumular estilos que fui juntando e consigo misturar tudo num mesmo setlist para ouvir no metrô ou no carro. Acho que começa com heavy metal e passa por praticamente todos os seus estilos distintos. Punk também e vai até o Industrial / EBM, até uns góticos que acabei tocando em bandas. Já toquei em bandas de metal quando era bem novinho, dos 14 aos 16 anos. Lembro de ter ensaiado com algumas bandas em garagens de São Bernardo e Santo André, vi os primeiros ensaios do Necromancia, que eram bem legais e eles evoluíram muito. Assisti o Andreas Kisser tocar com uma banda de um conhecido meu, também bem no começo de carreira dele. Morei na Rua Continental, em SBC, e o Sepultura morou lá durante um tempo.

Voltando para a pergunta: toquei numa banda punk de São Caetano que se chamava Ai5, mas tinha duas bandas que se chamavam Ai5 e a minha era mais raiz (hahahaha). Depois de muito tempo, e tocar em várias bandas, acabei entrando para o SKULK PARTITION ROOT. Ficamos 13 anos na ativa e agora continuamos todos amigos e entusiastas, mas gostamos de pensar que essa banda nunca vai parar.

Quais os seus bateristas preferidos, e quais os que te influenciaram na época?
Milton Toller: Gosto muito da Vera Figueiredo, mas em primeiro Clive Burr, por ser o primeiro cara que ouvi tocar e achei que ajustava muito bem a batera do Iron com uma pegada muito forte e inteligente. E o Neil Peart que dispensa qualquer comentário.

o baterista...

o baterista…

Além da bateria, você toca contra baixo. Quais outros instrumentos você domina?
Milton Toller: Eu toco um pouco de contra baixo. Comecei a tocar na época que saí do SKULK, e quando voltei tinha um batera cobrindo a minha falta, mas treino pouco, sei me virar quando precisa, mas falta muito ainda. Sei tocar guitarra e fazer algumas bases, mas como o baixo, precisaria treinar mais também. Pelo menos eu consigo passar as minhas ideias para a banda quando é preciso. Hoje na verdade eu acabo tocando muito teclado, em casa estou trabalhando muito com música eletrônica e tenho teclados e disparadores para fazer alguns sons. Procuro sempre estar passando as minhas ideias para o computador e criando coisas novas, não consigo ficar longe de fazer música nem quando estou sem banda (rs).

o baixista...

o baixista…

De quais bandas participou? Qual a que mais marcou sua carreira?
Milton Toller: Tirando as bandas de metal que participei, mas de uma maneira muito primária, a primeira banda que me apresentei ao vivo foi a banda de Punk Ai5, depois disso até me apresentei com algumas bandas em bares, mas só fazendo covers. Tive alguns projetos, mas era difícil ir para frente. Depois de um tempo conheci o Dalton Kole, que fundou o SKULK PARTITION ROOT, e em um fim de semana tiramos todas as músicas. Em 3 meses já estávamos tocando ao vivo. Participei de algumas bandas, mas era muito para cobrir outros bateristas, mas a banda que realmente marcou para mim foi a SKULK. Nós não víamos nada na frente, não interessava se tinha gente assistindo ou não ao show, nós fazíamos sempre o melhor e nos dedicávamos para isso, MUITO!

Gostaria de ter tocado com algum grupo em especial? Quem seria?
Milton Toller: Acho que não! Gostaria de que o Skulk tivesse dado certo! Era a banda com quem me sentia bem estar. Todos nós do SKULK somos muito amigos e nos falamos até hoje.

Você tocou por 13 anos no SkulkPartitionRoot. Fale sobre o grupo.
Milton Toller: Como eu disse, somos como irmãos e nos falamos até hoje. O vocalista Dalton Kole mora no Canadá, mas toda semana um manda piada pro outro. O guitarrista Elver Carnavali mora em Santo André, esse eu tento ver mais e estamos com um projeto para voltar a banda de uma maneira diferente, aguardem. O outro guitarrista, que foi o primeiro a entrar na banda é o Fernando Paraguassú, que mora na Austrália agora. E eu moro no Ipiranga. Realmente temos uma distância grande entre a gente , mas mesmo assim sempre damos um jeito de conversar, mostrar as ideias uns para os outros e estarmos sempre lembrando das boas épocas de banda. Um dia quem sabe a gente não volta, pois vontade e saudade sempre temos.

tocando baixo ao lado do vocalista Dalton Kole na Skulk

tocando baixo ao lado do vocalista Dalton Kole na Skulk

Porque acabou o SkulkPartitionRoot?
Milton Toller: Trabalhos e oportunidades diferentes para todos, mas o principal: não tivemos uma chance no mercado musical ou então não éramos bons e achávamos que éramos. Lembro que o pessoal gostava muito e nosso CD chegou a ser vendido na Alemanha pela MUSIK e fizemos o lançamento do segundo CD pela Industrial Radio PodCast de NY ao vivo. Fizemos parte de uma coletânea, o Kid ANtrim e a primeira faixa do CD era nós, brazucas, entre várias bandas dos EUA e outros lugares do mundo. Acho que poderia ter dado certo.

SkulkPartitionRoot

SkulkPartitionRoot

Além de músico, você é um artista plástico. Uma coisa levou a outra?
Milton Toller: Sim, comecei vendo os discos com as capas desenhadas do Iron e de outras bandas, aí eu queria desenhar também, colocar minhas ideias no papel. Foi então que comecei a entrar para a ilustração profissional e a entrar para a publicidade. Virei artista plástico e hoje é uma das minhas profissões. Pinto telas, faço muitos eventos e tenho muitos projetos para lançar, inclusive com música e arte.

Milton em um dos inúmeros eventos que participa de artes plásticas

Milton em um dos inúmeros eventos que participa de artes plásticas

Você faz composições para trilhas de games? Como funciona?
Milton Toller: Sim, comecei há pouco tempo. Trabalhei durante um tempo como diretor de arte de uma empresa que faz games de tabuleiro e digital e além da arte. Já havia me intrometido na parte de criar as histórias dos jogos, que já comecei a gostar muito. Ao ver a dificuldade de conseguir trilhas compradas, comecei a me arriscar a fazer as trilhas para os jogos, pois já tenho todo o equipamento em casa. Aí ficou fácil!

Bom, para fazer uma trilha é necessário entrar no clima do jogo. Como eu já estava fazendo a história do jogo, me senti mais á vontade para produzir. Geralmente os jogos possuem temas mais pesados e isso ajuda por eu gostar de rock e música eletrônica em geral. É como disse lá no começo, que o único tipo de música que eu gostava era o de trilha sonora de filmes, então desde pequeno eu ficava pensando em trilhas para tudo. Aí foi fácil me ajustar para esse mundo. Estou só no começo, tem quase 3 anos apenas, mas acho que estou bem, já fiz até trilha medieval.

Já desenhou para capas de álbuns? Quais?
Milton Toller: Fiz as capas do SKULK, e de várias bandas que nem sei se deram certo. Tinha uma que eu fiz que gostei muito, que era do Psychominds (acho que era esse o nome), fiz muita coisa que não era do meio do rock, pois quando se é ilustrador de profissão você faz de tudo, até fiz muita coisa para o meio Gospel (JESUX hahahahaha). Tirando a capa SKULK e algum outro que não lembro, o resto não importa muito.

sua arte favorecendo a capa do álbum da banda SkulkPartitionRoot

sua arte favorecendo a capa do álbum da banda SkulkPartitionRoot

outra da sua arte para o Psychominds

outra da sua arte para o Psychominds

Gostaria de desenhar capas para algumas bandas? Quais?
Milton Toller: Aí sim! Gostaria de desenhar muuuuiito capas ou perfis de bandas, agora quais? Vamos ver… Iron eu gostaria(rs), tem o Matanza, NIN, poxa gostaria de desenhar para qualquer banda de rock, eu gosto muito desse tipo de trabalho. Aceito sugestões e convites.

Como surgiu o Milton tatuador?
Milton Toller: Poxa, foi há 15 anos. Eu dava aulas de artes e tenho grandes amigos na área que começaram a me provocar para ser tatuador e daí eu resolvi aceitar a parada. Fui até uma loja que o cara vendia kits de tattoo, comprei o kit e naquela época não tinha agulha NUTELA, era tudo raiz. Você soldava suas agulhas na aste e mandava bala. Bom, aprendi a soldar as agulhas ( só que agulha tem 2 lados e para mim que sou cegueta, soldei de qualquer jeito ) e preparei tudo. Tirei a roupa e fui testar na minha perna (NÃO TENTE FAZER ISSO EM CASA), e deu tudo errado. Mas deu certo também, heheheheh… Bom, depois disso fui aprender um pouco mais, com alguns amigos tatuadores que fiz, e daí não parei mais. Errei bastante, mas a galera pagou pouco ou nem pagou e hoje já tenho uma bagagem legal, porém, sempre aprendendo… falta bastante ainda. Quero aprender muito mais!

o tatuador...

o tatuador…

Ilustrador, artista plástico, professor de artes, ilustrador digital, tatuador, músico e designer gráfico. Como administra seu tempo?
Milton Toller: Bom, isso realmente não é fácil! Hoje eu tenho alguns clientes na parte de marketing estratégico, trabalho com criação de peças online para mídias sociais e email marketing, estou com um projeto de jogo online onde vou fazer tudo junto com uma equipe, procuro deixar as tatuagens para os fins de semana e como gosto de fazer mais desenhos autorais, eu não divulgo muito, é mais para quem me conhece. Porém como faço muitos eventos de livepainting, acabo conhecendo muita gente para as tatuagens. Mas ainda sobra um tempinho para me dedicar a música, pois sem ela eu não vivo. Agora estou tentando voltar a tocar bateria novamente em alguma banda, estou a procura!

com a esposa Carla e uma das suas telas ao fundo

com a esposa Carla e uma das suas telas ao fundo

Como avalia a música nacional atualmente? Do que sente falta?
Milton Toller: Putz, é complicado responder essa pergunta sem parecer meio ignorante, pois pensa comigo: na minha idade eu já ouvi muita coisa boa e muita coisa ruim, hoje em dia meus ouvidos e meu cérebro estão preparados para ouvir e julgar de maneiras diferentes das pessoas mais jovens, mas o que está sendo apresentado para eles é da época deles, é da geração deles, não é culpa do pessoal gostar ou até fazer música da maneira deles e não da minha maneira.

Deixando de julgar um pouco, eu acho que pela primeira vez estamos para trás perto da referência mundial e acho que tem mais música criativa fora do Brasil do que aqui dentro. Bom, digo isso pensando do que está sendo apresentado para nós. Tenho certeza que tem muito mais coisas boas sendo feitas, mas como numa conspiração musical, sendo escondida. Nossas garagens continuam cheias e cheias de super talentos e super ideias boas musicais.

Estou sentindo falta de algo que está para explodir, eu sinto que desde 2000, o mundo da música está perdido, está a procura e não achou ainda aquela mudança que procura. Bom, estou em casa fazendo a minha parte, todos os dias eu procuro ficar em casa estudando e tentando trazer algo e contribuir para a música. Pois é o que eu sempre digo da arte: – A arte, o desenho ou a música não são minhas. Sou apenas um filtro por onde ela passa e se transforma, por isso é que devemos fazer e produzir, não para sermos reconhecidos e sim para trazer sensações para todas as pessoas.

Quais seus planos para 2017?
Milton Toller: Uma banda, livepainting, eventos, e achar algo novo na música, buscar, buscar e buscar e achar!
Pretendo dar uma alavancada na carreira como artista plástico e com música também, mas só se for algo que eu acredite muito.

Qualquer pessoa se torna um ilustrador/tatuador, ou se nasce com esse dom?
Milton Toller: Fiz uma palestra e sempre levo esse pensamento para as pessoas: Todo mundo pode ser artista! O artista é formado de duas coisas principais: paciência e referência. Treinando essas duas habilidades vem a criatividade e ao ter paciência de produzir e de tentar reproduzir artistas conhecidos, ele ganha destreza e começa a ser um artista. Ao começar a desenhar, o artista se depara com dois medidores que é a velocidade com que você resolve determinada ilustração e a qualidade da ideia. Sua criatividade, isso leva ao dom.

A pessoa interessada em se tornar seu aluno em aulas de artes, como deve proceder?
Milton Toller: Pode falar diretamente comigo, ou então, hoje eu tenho duas turmas de arte na ABRA Academia Brasileira de Artes no Brooklin. Nesse ano quero ver se começo a fazer as saídas de arte aos finais de semana. Quero ver se levo meu cavalete ou apenas um caderno mesmo e vou para algum parque fazer alguns encontros, digo onde estarei e as pessoas aparecem para conversar, trocar ideias e desenhar. Sem compromisso, só para agitar o meio artístico.

o pintor

o pintor

E para finalizar, qual sua dica para quem quer iniciar tanto na música, como nas artes e na tatuagem?
Milton Toller: Poxa, na música é ouvir aquela vozinha que vem do coração. Temos que ter em mente uma coisa: é um caminho solo, quase não tem ninguém te incentivando e você não deve cobrar isso de ninguém, é um caminho só seu. Se for para você brilhar, melhor, e se não for, faça como eu, continue. Com artes é a mesma coisa, continue.

Tem uma coisa que acontece muito hoje em dia: para qualquer profissão que você for perguntar como está a área, todos vem com a mesma resposta, – “iiiiiiiiiiiii, tá difícil, viu?” – Gente, tudo é difícil e tem que começar de algum lugar. É o que eu digo: se você gosta, vá e faça! A minha área é muito difícil, mas o mundo está mudando, novas tecnologias chegando e novas rotinas estarão aparecendo. Bom, eu vou continuar indo atrás e meu conselho é para não desistir, como eu que nunca desisti. Nunca acho que já sei o suficiente, vamos estar sempre aprendendo!

Milton Toller

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Tel: (11) 96428-8610
ABRA – Escola de Arte e Design (Brooklin) – Endereço: R. Dr. Jesuíno Maciel, 334 – Brooklin Paulista

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