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O Blues e o rock no Brasil

Rita Lee & Tutti-Frutti

O Blues e o rock no Brasil, guardada as devidas proporções, pode-se dizer que o surgimento do blues no País foi similar ao que aconteceu na Inglaterra.

Reprodução Internet

Guardada as devidas proporções, podemos dizer que o surgimento do blues no Brasil foi similar ao que aconteceu na Inglaterra, nos anos 60. Como o blues é uma música americana e não tem raízes no país, foi através do surgimento do rock tupiniquim que o estilo apareceu nessas terras.

Podemos dizer que desde a Jovem Guarda o estilo já caminhava lado a lado com o rock, já que os artistas nacionais faziam versões para rock’s internacionais e toda a primeira geração do rock’n roll dos anos 50 seguia a forma de 12 compassos do blues, assim como seu fraseado e riff’s com a mistura de escalas pentatônicas menores e maiores.

Rita Lee & Tutti-Frutti

Rita Lee & Tutti-Frutti

Com a geração de bandas dos anos 70, como Made in Brazil, Rita Lee & Tutti-Frutti e Raul Seixas, o blues estava sempre presente no repertório desses artistas e era comum ter pelo menos uma música por disco no estilo. Por exemplo: no disco “Fruto Proibido”(1975), de Rita Lee & Tutti-Frutti, contém a música ” Cartão Postal”,um autêntico blues com uma interessante variação harmônica.

Raul Seixas

Raul Seixas

No underground, já circulavam autênticas bandas de blues, como o Fickle Pickle ( com André Christóvam, Paulo Zinner e Nelson Brito, os dois últimos futuros integrantes do Golpe de Estado) e até o cantor Serguei, que transitou por vários estilos, mas sempre levantou a bandeira do blues cantando Summertime, na versão de Janis Joplin, com quem se envolveu e outros standarts.

Serguei e Janis Joplin

Serguei e Janis Joplin

Já nos anos 80, com a explosão do BR- Rock, algumas bandas do mainstream apresentavam blues em seu repertório, como o Barão Vermelho com “Down em Mim”, gravada no seu disco de estréia, em 1982 e a Blitz (Cruel, Cruel Esquizofrenético Blues, 1984), mas foi com artistas como Celso Blues Boy, que estreou em disco em 82, participando da coletânea chamada Rock Voador, é que a coisa começou a engrenar, com artistas voltados ao estilo.

Celso Blues Boy

Celso Blues Boy

“O Ave de Veludo” lançou o auto-intitulado 1º disco completo de blues no país, em 1984, se bem que faziam um hard blues, um som mais pesado. Até as bandas de hard/heavy paulistas incluíam blues em seu repertório, como o Golpe de Estado, que gravou em 1986 seu primeiro disco e a música “Olhos de Guerra” é uma balada blues rock, e a Chave do Sol, que no disco The Key,de 1987, gravou “Keep me warm tonigth”, em inglês.

Golpe de Estado

Golpe de Estado

Mas foi com o Blues Etílicos (do Rio de Janeiro) e André Chirstóvam (de São paulo) em 1989, quando lançaram seus discos, pelo selo Eldorado e estouraram no país, que se criou uma cena de blues nacional. O grupo carioca tem o gaitista Flávio Guimarães como sua moeda forte, sendo um grande instrumentista e conhecedor do estilo. Já o guitarrista paulista foi o primeiro a se formar no GIT, em Los Angeles, e trouxe toda esta bagagem de conviver com os artistas americanos de blues para cá e se tornou um verdadeiro embaixador do estilo no país.

Blues Etílicos

Blues Etílicos

Dividiu o palco com grandes nomes internacionais e sua discografia é uma referência do estilo no país, onde desfila toda sua técnica, principalmente no bottleneck. Daí em diante, todo artista gravava um blues, como Alceu Valença, que lancou “Andar, Andar”, em 1990 e o Nasi, cantor do Ira, que montou uma banda de blues como um projeto paralelo.

O Made in Brazil lançou em 1992 um disco inteiramente dedicado ao estilo, chamado “In Blues”, que foi gravado em 1990, mas isso já era um projeto antigo e estava nos planos da banda desde 1985, na fase mais heavy de sua carreira. Vale lembrar que o disco ao vivo Pirata – vol.2, gravado em 1984 e lançado em 1986, trazia uma versão para Mannish Boy, de Muddy Watters, chamada “Mexa-se Bloy”.

Made in Brazil

Made in Brazil

A sequência disso foi surgir uma nova safra de bandas nacionais de blues, como Blue Jeans, Big Allanbik e Irmandade do Blues, que tocam blues sempre com pé no rock,uma característica das bandas nacionais, por sinal. A ideia aqui foi fazer um panorama do blues no Brasil e perceber que ele sempre andou lado a lado com o rock, tendo grandes guitarristas e instrumentistas em nível internacional.

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