Entrevistas

O Incrível músico, produtor, compositor e escritor Netinho em entrevista para o Line Rockers

Netinho

Netinho o incrível baterista e musico da banda Os Incríveis em uma entrevista fantástica para o portal Line Rockers.

Foto Mila Maluhy

Netinho: “o único e melhor caminho é o estudo, porque a música é interminável.”

Luiz Franco Thomaz, o Netinho, iniciou a carreira em 1962 tocando bateria no grupo paulistano de rock The Clevers, que posteriormente viria a se chamar Os Incríveis.

A banda transformou-se em um dos conjuntos mais famosos do Brasil, na mesma época dos Beatles e Rolling Stones.

Em 1963, viajaram pela Europa acompanhando a cantora Rita Pavone, com quem Netinho manteve um badalado e polêmico romance.

Os Incríveis fizeram mais de 3000 shows no Brasil ao longo de sua história, com 15 milhões de discos vendidos e apresentaram-se mais de 500 vezes no exterior. Em 1974, Netinho montou o Casa das Máquinas, com três LPs pela Som Livre. Os maiores sucessos: “Vou Morar no Ar” e “Casa de Rock”. Em 1978, também como baterista e sócio, atuaria no conjunto paulistano Joelho de Porco.  Em 1980, criou um selo independente, gravando 2 LPs solo, projeto Amor e Caridade volume 1 e 2.

O livro NETINHO “Minha história ao lado das baquetas”

O livro NETINHO “Minha história ao lado das baquetas”

Em 2009, lançou o livro Netinho – minha história ao lado das baquetas. Nesse livro, Netinho narra suas aventuras que levaram as bandas Os Incríveis, e Casa das Máquinas ao sucesso entre as décadas 60, 70 e 80. Em 2014, Os Incríveis gravou um DVD e um CD com músicas próprias e inéditas em comemoração dos 50 anos da banda. A produção ficou por conta de Sandro Haick, filho de Netinho e guitarrista da nova formação.

Comemoração de 50 anos do Os lncríveis em DVD e CD

Comemoração de 50 anos do Os lncríveis em DVD e CD

Confira a Entrevista com Netinho

Fale um pouco ѕobre sua trajetorіa no mundo da música até o momento.
Netinho: Sou de Itariri, litoral Santista (Ita em tupi-guarani significa Pedra e Riri o barulho delas rolando – “Sou um Rolling Stone).

Com 8 anos toquei repique na fanfarra do colégio. Com 9 anos entrei pra escola de teoria musical. Com 11 fui estudar interno num Seminário Diocesano em São Vicente onde toquei caixa na banda. Com 14 me tornei profissional tocando bateria na Orquestra Tropical da cidade. Com 16 mudei pra Sampa, formamos o The Clevers e logo me tornei famoso internacionalmente. Me tornei produtor e escritor vivendo sempre de música.

The Clevers foi sua primeira banda, logo se tornou Os Incríveis. Qual foi a causa da troca do nome?
Netinho: The Clevers começou no final de 62 e mudamos para Os Incríveis no final de 64. Fomos obrigados a mudar o nome porque perdemos os direitos sobre a marca.

Quais foram as maiores dificuldades no começo do The Clevers e Os Incríveis?
Netinho: Eu conto no meu livro NETINHO “Minha história ao lado das baquetas” algumas histórias bastante interessantes do início da banda. Época da TV p&b, das estradas de terra com chuva e lama. Do primeiro equipamento de som próprio (P.A. + backstage + câmera de eco) que trouxemos da Italia, por isso nos permitia correr o Brasil fazendo shows. História é o que não me falta pra contar pros netos (por enquanto o netinho sou eu rs). A falta de informação era imensa, éramos movidos pelo dom e pelo coração.

O que significou Rita Pavone para a carreira do Os Incríveis?
Netinho: A cantora Rita Pavone foi a grande porta para o sucesso da banda, nacional e internacionalmente, que nos levou ao topo da lista dos mais premiados artistas brasileiro.

Stelvio Cipriani ao piano, Netinho na bateria, Rita Pavone, Mingo, Manito, Neno, Teddy Reno e Risonho (atrás do Teddy).

Stelvio Cipriani ao piano, Netinho na bateria, Rita Pavone, Mingo, Manito, Neno, Teddy Reno e Risonho (atrás do Teddy).

Você é muito citado por bateristas quando questionados sobre influências que tiveram.  Sendo assim, quais foram as suas influências?
Netinho: Bem, acho que foi mais pelo fato de eu ter tocado e ainda toco sempre com músicos excepcionais, craques de verdade. A banda se diferenciava por tocar todos os estilos de música; do jazz, ao merengue, samba ao rock and roll, e as gravadoras poderosas logo nos lançaram na grande mídia do mundo pop. E também pelo badalado romance com a cantora italiana. O primeiro baterista que vi tocar foi Orlando Cyrino na minha cidade, depois Gene Krupa e Buddy Rich.

Depois do fim do Os Incríveis, surgiu Casa das Máquinas, sendo que tem como grande característica o fato de cada álbum seguir um estilo diferente. Casa das Máquinas (1974), é um som mais pop; Lar de Maravilhas (1975), é um disco de rock progressivo; já Casa de Rock (1976), é totalmente Hard Rock. A mudança de integrantes influenciou isso?
Netinho: Sim, com certeza.

Primeiro LP do Casa das Máquinas

Primeiro álbum do Casa das Máquinas

Qual a causa do término do casa das Máquinas, em 1978? Você estava fora do Brasil quando ocorreu?
Netinho: Sim, eu fiquei um tempo fora do Brasil e quando voltei não havia mais aquele clima harmonioso necessário entre os elementos da banda, então resolvi que a banda deveria parar.

E a banda punk Joelho de Porco, como aconteceu?
Netinho: Após o fim do Casa, fui morar num sítio onde mantive o equipamento de som, luz e também o caminhão. A banda Joelho estava com um disco estourado pela Som Livre e precisava dessa estrutura, e assim acabei entrando para o grupo como sócio. Mas, não foram épocas das minhas melhores lembranças.

Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Netinho: Marcante sem dúvida foi nossa viagem pro Japão em 68. Mas o que mais me dá saudade foi a época em que lancei dois discos solos chamados “Amor e Caridade” onde eu me apresentava com minha esposa e meus filhos 1980 a 1983.

Como você deѕcreverіa ѕua forma de tocar?
Netinho: Não sei definir meu estilo, cresci ouvindo chorinho, boleros, sambas e rock and roll onde fiquei realmente mais conhecido como baterista.

Você deu uma canja na bateria de Bill Brufford, com o Phil Collins tocando junto na outra bateria. Como foi isso?
Netinho: Sim. Em 75 a banda Genesis se passou despercebida em SP, e quando soube os convidei para jantar em minha casa. Desse encontro surgiu uma pequena amizade e recebi um convite para a estréia do lançamento do Phil Collins como vocalista da banda por ocasião da saída do Peter Gabriel, e passei toda a semana de temporada no cine Odeon em Hammersmith / Londres. Em um dos dias fui convidado pelo Phil Collins pra dar uma canja na bateria do Bill Brufford, porque a bateria do Phil é montada ao contrário para baterista canhoto.

Quem você reuniria em um palco para uma Jam?
Netinho: Na verdade eu gostaria de contar com o mesmo time atual dos Incríveis de hoje e acrescentaria alguns convidados.

Atual formação do Os Incríveis

Atual formação do Os Incríveis | Foto Mila Maluhy

Houve uma considerável metamorfose no rock nacional desde o seu início? O que mais sente falta?
Netinho: Em se tratando de rock, sinto falta de um bom rock and roll como sempre acompanhei sua evolução, hoje o rock brasileiro está  muito fraco, sem energia harmônica.

Para onde está caminhando a música?
Netinho: Se o governo abandonar a cultura como parece, e se o povo continuar acompanhando a mídia como vem acontecendo, então o futuro me assusta. Mas por outro lado, se depender dos candidatos a músicos que hoje superlotam tantas escolas particulares por todo o Brasil, aí então vejo luz no caminho.

Há alguma pergunta que gostaria de responder, mas que ainda não teve oportunidade porque nunca perguntaram? E qual a resposta?
Netinho: Não sei, talvez falar da minha experiência como escritor tenha sido uma das minhas grandes alegrias ultimamente, em poder contar minha vida em detalhes desde a minha infância, tem sido muito bom.

Quais os projetos em andamento?
Netinho: Continuar tocando fazendo shows e gravando. Pretendo lançar um novo CD em 2017 e se Deus quiser também lançar meu segundo livro.

E para terminar, qual a mensagem que fica para quem quer seguir na música?
Netinho: Bem, se a pessoa tiver muito talento musical é mais fácil, mesmo assim o único e melhor caminho é o estudo, porque a música é interminável.

Netinho

Foto de Mila Maluhy

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Site Oficial:www.oincrivelnetinho.com
Contato: netinho@internetinho.com

 

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