Cobertura de Shows

Reencontro de 14Bis e Beto Guedes com participação especial de Sergio Hinds em SP, com direito a gravação de DVD

foto de Victor Moreira

Em noite especial no Tom Brasil, músicos mostram uma ótima sintonia e emocionam o público presente.

Com carreiras interligadas, a banda 14 BIS se uniu ao cantor Beto Guedes, tendo, ainda como convidado, o guitarrista e cantor Sérgio Hinds (O Terço) para uma turnê nacional que no último dia 18, sexta-feira, voltou à São Paulo para a gravação de um DVD. Esta ligação começou nos anos 1970, quando Cláudio Venturini, Vermelho e
Hely Rodrigues, todos do 14 Bis, gravaram o disco de estreia de Beto Guedes, em 1977. A banda só seria formada dois anos mais tarde, com mais dois ex-integrantes de O Terço: Sergio Magrão e Flávio Venturini, irmão mais velho de Claudio. Todos colaboraram uns com os outros ao longo de suas carreiras, mas não haviam juntado forças em palcos ainda.

Havia muita expectativa no ar por conta da gravação e, um público fiel, seguidor da carreira de todos estes artistas, lotou a casa com muito entusiasmo. Com um atraso de mais de 40 minutos, o 14 Bis iniciou o espetáculo tocando seus sucessos no formato acústico, como eles foram concebidos, com o reforço do tecladista de Beto Guedes, Cláudio Faria, que fez ótimos vocais, também. Cláudio Venturini utilizou o tempo todo um violão de 12 cordas e Vermelho tocou piano elétrico em algumas músicas. Magrão usou o mesmo baixo elétrico em toda a apresentação, e, o baterista
Hely, tocou percussão na maioria das músicas desta parte. Após tocarem “A Qualquer Tempo” e “Canção da América”, Sérgio Hinds, membro fundador e único integrante de todas as formações de O Terço, se juntou à banda para apresentarem juntos “Pedra Menina”, do primeiro disco do 14 Bis, e duas músicas do repertório de O Terço: “Pássaro” e “Queimada”, que fazem parte do set acústico da banda. Chega a ser impressionante a bela harmonia vocal resultante da soma de O Terço e 14 Bis!

foto de Milton Medusa

O quarteto mineiro dá prosseguimento ao espetáculo, ainda com os arranjos acústicos, incluindo novos solos de guitarra, adaptados para o violão de 12 cordas. O legal de seus shows em São Paulo, onde a banda tem um grande numero de fãs, é a participação do público, cantando tudo, principalmente em “Todo Azul do Mar” e “Espanhola”.

Encerrada a primeira parte, a sessão elétrica se inicia com a instrumental “ Tema III”, mostrando todo o talento e entrosamento de seus músicos. Vale ressaltar a performance do guitarrista Cláudio Venturini, um músico pouco citado (injustamente) por outros guitarristas, com muita energia e “time” perfeito. Tocaram duas músicas que estarão presentes em um novo álbum de inéditas e outras músicas antigas que não foram gravadas até o momento. Beto Guedes, então, é chamado ao palco e é recebido com muita empolgação pelo público presente. Já chega com o jogo ganho, pois, seu repertório com canções que transmitem mensagens de paz e esperança, sem contar a harmonia refinada que utiliza, cativou toda uma geração crescida nas décadas de 1970 e 1980. Aos poucos foi se soltando,
chegando até a solar em algumas músicas e regendo a plateia, que continuava cantando tudo e estava feliz ao vê-lo ao lado de seus amigos de estrada. Alguns erros em algumas entradas de músicas deram até uma descontração ao show, algo incomum no showbiz atual, que segue a máxima da perfeição extrema, com textos prontos e sem espaço para improvisos.

foto de Milton Medusa

A primeira que tocaram juntos foi “Sonhando o Futuro”, parceria de Cláudio e Lô Borges, e que foi gravado por Beto. Pouco depois, Hinds é chamado novamente ao palco para fazer um bom solo na clássica “Quando te vi” e em outras mais. Foi muito bom ver a força de uma música de Beto Guedes executada por todos, como “Lágrimas de Amor”, que ficou muito bonita!

Sérgio Hinds retira-se brevemente do palco e o espetáculo se encaminha para seu final, com algumas das músicas mais conhecidas da carreira do cantor e da banda, como “Uma Velha Canção Rock’n Roll”, com um solo matador de Cláudio Venturini, e “Sol de Primavera”, com a plateia totalmente emocionada. O encerramento se dá com “Planeta Sonho”, com todos no palco. O esperado bis se dá com “Amor de Índio”, com Beto Guedes solando na guitarra livremente, e “Linda Juventude”, com boa parte da plateia de pé, cantando e dançado.

Com duração de aproximadamente duas horas, o espetáculo agradou a todos e, iniciativas como esta, de registrar grandes encontros de artistas de uma mesma geração, são louváveis e parecem ser uma boa saída para manter a boa música em alta. Houve algumas falhas técnicas, devido ao envolvimento de uma grande equipe num evento deste porte, mas foram completamente compreensíveis pelo público presente. Uma prova disso, foi o alto astral no camarim após o show com todos felizes.

Setlist do show

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