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São Paulo Trip: O primeiro dia de um festival que vai ficar para a memória

The Who, The Cult e Alter Bridge fazem apresentações majestosas no Allianz Park em SP

Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

The Who, The Cult e Alter Bridge fazem apresentações majestosas no Allianz Park, em SP

Para a alegria dos fãs de rock, assim como eu, surgiu nesse ano o São Paulo Trip, que é um festival com duração de quatro dias, que aproveitou grandes nomes que se apresentaram no Rock in Rio.

Com uma proposta de festival mais singela, comparável ao RIR, o SP Trip teve um total de dez bandas se apresentando, contudo, soube “peneirar” grande parte do que o festival do Medina teve de melhor, acrescentando The Cult, com uma incrível maratona de shows na capital paulista.

Iniciando no dia 21 de setembro, uma quinta-feira, já com o grandioso The Who de atração principal, além de The Cult e Alter Bridge na mesma noite, foi a primeira vez que o The Who se apresentou no Brasil e na américa latina, sendo mais de 50 anos de espera.

A noite começou com os americanos do Alter Bridge. Formado em 2004 a partir da pausa do Creed, os integrantes do grupo Mark Tremonti (guitarrista) e Scott Phillips (baterista) juntaram-se a seu antigo companheiro, o baixista Brian Marshall, e com Myles Kennedy, ex-vocalista do The Mayfield Four.

Duas horas após a abertura dos portões, às 18:15hs, com o estádio longe de estar lotado, o grupo não se intimidou e iniciou a sua “The Last Hero Tour 2017”  com “Come to Life”, seguida pela pauleira “Addicted to Pain”, agitando os presentes. Myles arriscou palavras em português durante a apresentação e sempre mostrou-se simpático com o público.

O vocalista Myles Kennedy (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

O repertório continuou com “Ghost Of Days Gone By” e “Cry Of Achilles”, que logo de iníco já causou arrepios com a galera acompanhando a guitarra de Mark Tremonti nas palmas. A única faixa do novo trabalho da banda “Crows On a Wire” veio em seguida dando destaque ao grande talento de Scott Philips com as baquetas e do próprio Myles com um belo solo de guitarra.

Tremonti assumiu os vocais em “Waters Rising”, mandando muito bem a canção. Com o estádio um pouco mais cheio, veio “Isolation”, com ótimos riffs de guitarras, seguida por “Blackbird”, que já nos primeiros acordes, foi recebida com muitos gritos e aplausos. Um belo coro no refrão de “Open Your Eyes” mostrou uma bela interação entre o vocalista e os fãs, antes de uma pequena pausa para trocarem de instrumentos.

O guitarrista Mark Tremonti (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

Após uma breve apresentação dos músicos, veio a pesada “Metalingus”, puxada por Scott e para finalizar “Rise Today” que em mais um momento arrepiante da apresentação, houve emocionantes coros nos refrões. Houve distribuição de palhetas, baquetas e os set lists para os sortudos fãs que estavam na premium.

O baixista Brian Marshall (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

O quarteto mostrou um ótimo entrosamento durante toda a apresentação, fazendo um show empolgante e recompensando os fãs pela espera de 13 anos.  Vale frisar que, definitivamente, o Creed não deixou vestígios.

(Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

Set List – Alter Bridge 
Come To Life
Addicted to Pain
Ghost Of Days Gone By
Cry Of Achilles
Crows On a Wire
Waters Rising
Isolation
Blackbird
Open Your Eyes
Metalingus
Rise Today

O vocalista Ian Astbury (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

Com um público maior, foi a vez da única banda que não foi escalada para o line up do RIR, o The Cult se apresentar. Assim como o Alter Bridge, teve o setlist reduzido em 1h, para dar espaço ao headliner da noite, o The Who.

Liderado pelos membros originais Ian Astbury (vocais) e Billy Duffy (guitarra), o grupo inglês de hard rock foi formado em 1984. A nova formação conta com Grant Fitzpatrick (baixo), Damon Fox (teclados, guitarra) e John Tempesta (bateria).

Com um telão ao fundo do palco mostrando flores brancas, o show se inicia, após uma intro, com “Wild Flower”. Destaque para Ian, mostrando que os anos não influenciaram muito na sua capacidade vocal. John Tempesta já mostra a capacidade que tem em “descer a mão” no instrumento em “Rain”, dando uma amostra do que seria a sua performance durante toda a apresentação.

Ian Astbury e Billy Duffy (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

Após um “Ole, Ole, Ole, Ole… Brasil!” do vocalista, vem a sensacional “Dark Energy”. Ian Astbury demonstrou habilidade com pandeiros e mostrou-se se em ótima forma física correndo de um lado para o outro durante as 12 músicas tocadas na noite. Seguiu-se de “Peace Dog”, do mais recente ‘Hidden City’ (2016) e “Lil’ Devil”, com um belo solo de Duffy.

A mais tranquila “Deeply Ordered Chaos”, também do trabalho mais recente do grupo, antecedeu “The Phoenix”, com belos riffs de guitarra. Antes de começar “Rise”, o vocalista se irritou com o público e mandou: “Estou mesmo no Brasil, certo? Não sinto que estou no Brasil. Vocês tem certeza? São Paulo, vocês tem certeza? Mas isso não parece Brasil para mim. Vocês estão mandando mensagens? Desliguem essas luzes. Mandem uma mensagem para a minha mãe também!”.

Ian Astbury e John Tempesta (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

Ao som do teclado, Ian cantarolou “Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, São Paulooo” no início da clássica “Sweet Soul Sister”. “She Sells Sanctuary” fez com que o público pulasse e vibrasse a música toda, seguida pela contagem do vocalista para o início da pauleira “Fire Woman”, que foi um dos grandes momentos da apresentação.  “Love Removal Machine” foi a saideira do espetáculo, dando muito destaque ao gigante guitarrista Billy Duff.

O grupo fez um show grandioso para uma platéia que se mostrava pouco empolgada na maioria da apresentação. Ian Astbury se mostrou incomodado com isso, demonstrando em algumas partes do espetáculo. Infelizmente!

Set List – The Cult
Wild Flower
Rain
Dark Energy
Peace Dog
Lil’ Devil
Deeply Ordered Chaos
The Phoenix
Rise
Sweet Soul Sister
She Sells Sanctuary
Fire Woman
Love Removal Machine

E finalmente o momento mais esperado pela grande maioria do público: The Who!

Criado em 1964 por Pete Townshend (guitarra e vocais), Roger Daltrey (vocais, gaita e guitarra), John Entwistle (baixo) e Keith Moon (bateria), o grupo alcançou fama internacional, se tornando conhecido pelo dinamismo de suas apresentações e passou a ser considerado uma das maiores bandas de rock and roll de todos os tempos.

Da formação original só permaneceram Pete Townshend e Roger Daltrey. O baterista Keith Moon faleceu em 1978, vítima de uma overdose de medicamentos e o baixista John Entwistle faleceu em 2002, vítima de um ataque cardíaco provocado, provavelmente, pelo uso de cocaína. Atualmente Zak Starkey, que é filho do Beatle Ringo Starr, assume a bateria, Jon Button o baixo, Simon Townshend outra guitarra e reforça o backing vocal, John CoreyLoren GoldFrank Simes formam o time dos teclados.

Momentos antes do iníco da apresentação, no telão surgiram imagens com a história da clássica banda e homenagens aos membros falecidos, para euforia geral. Em seguida, as luzes se apagaram pontualmente às 21:30hs e no telão surgiu a mensagem “Mantenha calma, aí vem o The Who”. Com o coro de “Who, Who, Who”, o lendário grupo entrou no palco.

O vocalista Roger Daltrey e o guitarrista Pete Townshend (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

“Can’t Explain” iniciou um dos shows mais aguardados do ano, fazendo muitos dos presentes se emocionarem e cantarem junto. Em seguida vieram “The Sheeker” e “Who Are You”, que para os mais novatos, são conhecidas por serem temas da série”CSI”. Destaque para a voz de Roger Daltrey, que não se abalou com o decorrer dos anos.

Sempre muito simpáticos, Daltrey e Townshend interagiam com o público durante os intervalos das músicas. “The Kids Are Alright” veio na sequência com um clipe mesclando motoqueiros e belas paisagens no telão.

O guitarrista Pete Townshend (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

Antecedendo “I Can See for Miles”, veio o discurso empolgado de Pete sobre sua honra em fazer o primeiro show na américa do sul e que esperava que valesse a pena, sendo muito ovacionado. Após alguns instantes com as luzes apagadas, “My Generation” veio com tudo,  fazendo a galera cantar enlouquecidamente cada refrão, e em conjunto, trechos da “Cry If You Want”. 

“Bargain” deu sequência para um público ainda anestesiado pelo clássico tocado anteriormente. Impressiona a incrível forma de tocar do baterista Zak Starkey, demonstrando competência de sobra e certificando a ótima contratação do grupo.

O baterista Zak Starkey (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

Outro grande clássico, “Behind Blue Eyes”, assim como a anterior, faz parte do álbum “Who’s Next” (1971). Um grande coro acompanhou perfeitamente os músicos, sendo um grande momento do show, dando sequência a “Join Together”com animações no telão.

“You Better You Bet” seguiu sendo um outro ótimo momento, com mais coro da platéia. Diferentemente dos shows anteriores, esse público se mostrou absurdamente interessado em cada momento do show. Pete anunciou que as próximas três músicas seriam do álbum “Quadrophenia” (1973): “I’m One”, onde o próprio Pete assumiu o microfone principal, mostrando uma potente voz,  a bela instrumental “The Rock”, solicitando a paz com cenas de guerra e momentos históricos no telão e “Love, Reign O’er Me”, música que se inicia com um belíssimo som de piano.

Roger Daltrey (Crédito: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts)

Seguiram com “Eminence Front”, antes de começaram uma série de clássicos do álbum Tommy (1969): “Amazing Journey”, a pauleira instrumental “Sparks” e “Pinball Wizard”, que é uma das músicas de maior sucesso do grupo, para a alegria geral.

A bela “See Me, Feel Me” antecedeu a também tão esperada “Baba O’ Riley”, que arrepiou desde os primeiros acordes. Um jogo de luzes acima do palco acompanhava a música, mostrando um belo espetáculo visual. “Won’t Get Fooled Again”, antecedeu o bis, com a apresentação dos músicos feita por Pete no final.

“5:15” veio naquele momento em que você fica olhando a movimentação do palco para se certificar de que os roadies não estão desmontando os intrumentos e que o show continuará. “Substitute” finalizou uma fantástica e hipnotizante apresentação, deixando a sensação de dever cumprido para a banda e a vontade de querer mais para o público.

Sem dúvidas, foi uma histórica apresentação!

Set List – The Who
I Can’t Explain
The Seeker
Who Are You
The Kids Are Alright
I Can See For Miles
My Generation
Bargain
Behind Blue Eyes
Join Together
You Better You Bet
I’m One
The Rock
Love, Reign O’er Me
Eminence Front
Amazing Journey
Sparks
Pinball Wizard
See Me, Feel Me
Baba O’ Riley
Won’t Get Fooled Again
5:15
Substitute

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