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Wacken Open Air: diário da equipe do Line Rockers no festival (parte 1)

Não importa quantos detalhes você já tenha ouvido falar sobre o Wacken, a única forma de conhecê-lo de verdade é participando desse fenômeno com cara de festival

foto de Léo Consa

Não importa quantos detalhes você já tenha ouvido falar sobre o Wacken, a única forma de conhecê-lo de verdade é participando desse fenômeno com cara de festival

A edição de 2017 causou um pouco de polêmica, já que por vários anos os 75.000 ingressos disponíveis se esgotavam em algumas horas após começarem as vendas. Desta vez, porém, o esperado “sold out” se deu apenas algumas semanas antes do início do festival.

Muitos headbangers especulam que as razões sejam o aumento de 40 euros, de 180 para 220, em relação ao ano anterior, ou a falta de headliners de peso na edição deste ano. A organização tentou alguns atrativos para
compensar o preço mais alto, como deixar de cobrar pelo uso dos banheiros e chuveiros e construir um cervejoduto para distribuir os quase 400 mil litros de cerveja consumidos na Holy Land.

Bem, o que importa é que, com ou sem polêmica, a 28 a edição do Wacken Open Air foi memorável. Tentaremos aqui fazer com que você, leitor, tenha ideia do que é estar no maior festival de heavy metal do mundo. Serão algumas resenhas, uma para cada dia do festival, descrevendo um pouco de como é estar no melhor lugar que existe.
A chegada à cidade de Wacken, por si só, já é fantástica: casinhas milimetricamente colocadas lado a lado, com seus grandes jardins, já parecem te receber de braços abertos. Estas casinhas levam à avenida principal da cidade, onde se localiza a loja oficial de merchandising (que, cá entre nós, tem todo tipo de acessório imaginável sobre o festival), mais casas e pequenos comércios, que oferecem opções de comidas típicas e bebidas àqueles que estão de passagem rumo aos palcos ou simplesmente querem se aventurar.

Os moradores da cidade toda se mobilizam em função do festival, montam barracas de comida e bebida nos seus quintais, decoram suas casas com bandeiras, deixam som alto rolando e recebem os milhares de visitantes de forma incrível. Depois de uma boa caminhada, já com a pulseira no braço e cadastramento de imprensa devidamente feito, hora de entrar na área do festival. Primeiro, a segurança do evento pede que quaisquer objetos sejam carregados dentro da full metal bag. Esta consiste em uma sacola cheia de mimos para o headbanger, e é recebida na hora do cadastramento ou da entrega do ingresso.

Ingressos WOA (foto: Léo Consa)

Ela contém vários itens muito úteis para todos os dias do festival, além de coisas muito legais, como capa de chuva, cantil para água, adesivo, imã de geladeira, path do festival, entre outras coisas. As áreas próximas aos portões são distantes dos palcos principais e sempre que se passa de uma área a outra, uma nova revista de segurança é feita. Incrivelmente todo esse processo é feito com muita agilidade e simpatia por todos os funcionários. Aliás, não faltam sorrisos e cordialidade dos alemães desde o momento da entrada ao festival até a fila para utilização de banheiros, que, a propósito, são higienizados dia e noite por uma equipe muito dinâmica. A organização como um todo é de dar inveja.

Full Metal Bag (foto: Léo Consa)

A data oficial do Wacken é de quinta a sábado, sendo este sempre o primeiro sábado de agosto. Entretanto, a verdade é que a festa já começa antes: os portões do camping (já incluso no valor do ingresso) abrem às 15h de segunda-feira. Na quarta-feira já existe programação de shows nos palcos menores e apenas o “infield”, área com os 3 maiores palcos (a partir deste ano chamados de Faster, Harder e Louder), abre na quinta-feira às 14h.

Para quem pretende conhecer o festival, recomendamos que se organize para chegar com antecedência. Até a quarta-feira, mais de 70% do público já chegou e acampou, e isso é muita gente. Também é importante pensar bem no meio de transporte que se vai utilizar; a chegada de carros é controlada e o motorista precisa estacionar no local direcionado pela organização, o que pode ser bem longe. Como a maioria das pessoas prefere acampar próximo aos carros isso pode significar uma caminhada mais longa da sua barraca até a entrada do festival. E quando dizemos “caminhada mais longa”, queremos dizer uma bela andada de até 1h30min, dependendo do seu cansaço e condições climáticas, toda vez que você precisar ir ou voltar da barraca. Nós optamos pela chegada na quarta-feira e usamos o trem até a estação de Itzehoe.

Main St. (foto: Léo Consa)

Depois disso, pegamos o shuttle do Wacken até a área do festival. O esquema do shuttle é particularmente bom: você paga 10 euros e tem direito a usá-lo quantas vezes quiser durante todos os dias. Como chegamos a pé, conseguimos um lugar para nosso acampamento a cerca de 10 min da entrada do festival. Pode parecer frescura, mas depois de 4 dias na lama andando pra lá e pra cá, é bem importante tentar acampar perto da entrada. O local de camping costuma ficar lotado já no primeiro dia do festival. Muitas pessoas chegam antes mesmo de toda estrutura estar montada e se fixam com seus motor homes em áreas mais próximas dos palcos.

O camping é uma atração à parte: trailers, motor homes, sofás de couro, bandeiras, cercas de jardim e todo tipo de montagem maluca que se pode imaginar. Entre uma barraca e outra é possível ver as diferentes nacionalidades que estão acampando ali. Nossa barraca, por exemplo, estava ao lado de grupos de irlandeses, dinamarqueses e suecos . À noite suas conversas acabavam dando origem a diálogos impossíveis de serem minimamente entendidos. Podiam-se entender apenas as gargalhadas, linguagem universal de quem está se divertindo – e muito! A comunicação também era facilitada pelo consumo de litros e litros de cerveja e Jack Daniels.

Camping (foto: Léo Consa)

Camping (foto: Léo Consa)

“Túmulo de Lemmy” no camping (foto: Léo Consa)

Com todo o processo de cadastramento, somado ao deslocamento pela área do camping e possíveis problemas de barraca que vieram a surgir – infelizmente mais comuns do que gostaríamos – acabou ficando impossível acompanhar os shows do primeiro dia. Aliás, chegar na quarta e querer assistir algum deles é quase uma utopia, já que existe bastante coisa para se fazer depois na chegada. Além de firmar o acampamento, trocar o ingresso pela pulseira e as outras coisas que já citamos, temos algumas outras recomendações. Uma delas é gastar um tempo
procurando os lockers para alugar. Eles são uma excelente opção para quem não vai de carro, e também para quem vai, mas não conseguiu estacionar perto: você aluga um armário pagando de 23 a 32 euros, dependendo do tamanho, e, além de não se preocupar com dinheiro, documentos e notebook, ainda tem uma tomada exclusiva para carga de celulares.

Outra recomendação é já comprar toda sorte de souvenirs que seu orçamento permite. Deixar isso para os outros dias pode resultar em esgotamento de vários itens, normalmente os que você mais quer, além de filas enormes de até duas horas. Por último, vale muito andar admirado pelas diversas áreas da Holy Land, comendo e bebendo de suas iguarias. Vamos repetir muito aqui que este é o melhor lugar do mundo. Com tudo isso para fazer na chegada, as bandas da quarta feira, não por acaso, não são tão populares ou esperadas. Apesar de, às vezes, elas serem bastante surpreendentes, na verdade – como ocorreu este ano com a Ugly Kid Joe, famosa por alguns hits nos anos 90 e que, apesar de não ser muito a cara do festival, fez parte do line up desse primeiro dia de apresentações.

Na quarta-feira, claro, já pegamos também a primeira chuva do festival. Se a chuva é rápida como a que pegamos não é um grande empecilho. Ainda mais se você está com sua capa. O problema é que a chuva foi bastante forte no decorrer dos dias todos, e toda a área do festival fica em um gramado; após a chuva este mesmo gramado se transforma em um lamaçal que irá te acompanhar pelos próximos dias – imprescindível estar preparado, pelo menos, com galochas.

À noite é o momento ideal para explorar as diversas àreas temáticas do festival. Entre elas, a vila viking e o biergarten , que mesmo com palcos menores, acabam atraindo muitos headbangers com opções de comidas e bebidas e acabam sendo uma alternativa para quem não está atraído para os shows que estejam rolando nos palcos principais. A vila viking, ou Wäckinger Village, tem uma área ao estilo Mad Max, (*FOTO ) com personagens rodando por ali e um carro totalmente “Estrada da Fúria”, que chama muita atenção.

Vila Viking Mad Max (foto: Léo Consa)

Vila Viking Mad Max (foto: Léo Consa)

Vila Viking Mad Max (foto: Léo Consa)

Além disso, a vila tem também produtos artesanais à venda, desde chifres para bebida até roupas medievais e pratos típicos rústicos de dar àgua na boca. Destaque para uma carne de porco em um espeto enorme, que vende como água e é uma das coisas mais deliciosas no festival. Você se sente um verdadeiro viking comendo aquilo como se
estivesse empunhando uma espada. E, para acompanhar tudo isso, nada como um excelente hidromel, que sinceramente já nos deixou saudades.

Porcos na churrasqueira (foto: Léo Consa)

Vila Viking (foto: Léo Consa)

O dia seguinte seria cheio de shows e, portanto, com uma agenda apertada. Como uma solução para essa tumultuada agenda um aplicativo foi lançado meses antes. Nele, o público do Wacken pode checar todas as bandas que tocaram no festival, bem como preparar uma lista personalizada de interesses e guarda-la ou compartilhar com amigos, para se alinhar com eles. O mais legal é que foi possível receber alertas 15 minutos antes dos shows. Assim, você pode se deslocar de onde estiver rumo ao palco em que a apresentação acontecia. Esse sistema foi genial e evitou que
perdêssemos alguns shows, especialmente em meio a tanta informação nesse segundo dia.

Na próxima resenha vamos falar sobre o nosso segundo dia no Wacken, e primeiro dia de verdade de festival, com a entrada no Infield e os shows que rolaram. Fiquem ligados no Line Rockers e até a próxima!

Equipe Line Rockers (foto: Léo Consa)

 

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